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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Vermes


Sou o verme, vivo acoplado a tua pele dita humana, sou o parasita que perfura os teus ossos e te faz sentir dores indizíveis, alimento-me de tua angústia e escravizo-te paulatinamente...
Disfarço-me quando for preciso, preciosa natureza humana, diferente dos livros e dos ratos, tem o gosto balsâmico, o cheiro de pecados...
Tenho plena liberdade no ócio das tumbas, adormeço entre as carnes pútridas e os sonhos desolados, conheço as palavras, eu as fiz nascer em tua boca nas horas precisas, precisa carne natureza humana...
Depois da queda o contra mão, a válvula de escape, o orgasmo.
Sou o verme, estou em teus braços, em teus traços, copulando com outros vermes, obstruindo as tuas veias, no meio de tuas rugas, sou o verme que sugou a tua juventude, contigo assisti a primeira e a ultima chuva e o golpe de fez desvanecer as pequenas margaridas...
Agonia, agonia em plenitude, inconsciência Freudiana, não creio que somos a condenação humana, paradoxalmente somos o início de tudo.


Janaina Cruz

Poema recitado por Mauricio Andrade:

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Tóxica


A dama vermelha em distúrbios plasmáticos, estendendo a mão, pedindo auxilio, fazendo mímicas no meu divã.
Diva danosa, bem articulada, projetando-se em mim.
Desejo o corpo da divina fábula, a ires dramática de luz.
Sugo o suor dos seus poros, o gozo do seu sexo, lambo-lhe os pés, mesmo sujos de lama...
Estamos no inferno você insiste em lembrar, enquanto rasgo as películas desse dia normal, preciso sobreviver, mas já não adianta nada, rogaram eternidades sobre nós, reajo a minha ereção tetânica te vejo garbosa sobrevivendo em silêncio.
Sacrifico-te, ofereço teu sangue a um demônio qualquer ele entende as minhas urgências, e sabe que estamos perdidos, irremediavelmente perdidos.
As lâminas acostumaram-se a epiderme que já não sabe sangrar, restam os arranhões que logo saram, somo covardes estamos tingindo nossos cortes com urucum, costurando-nos com ligas metálicas.
As horas nos massacram, o aneurisma avisa que vai explodir, mas no exato instante em que estou entre as tuas coxas, escondendo-me, escondendo-me de tudo.
São dez mil anos dentro de ti, roendo teu azar com um rato, roendo teus cabelos, teus seios, enquanto você goza...
Na mesa do jantar você goza, você goza dama vermelha, segura e afrouxa a minha teia, ofegante digo: Droga, mas não consigo para, eu não consigo parar!!!

Janaina Cruz

sábado, 3 de agosto de 2013

Violinos que choram




A música dos violinos acalmava a alma dilacerada,
Havia uma pá de destroços amontoados no Eu
O filho morto no centro da sala, um cubículo cheio de vazios...
Os olhos vermelhos e estranhos procuravam mirar o nada,
Qualquer gesto seria esforço inútil.
A música disfarçava os rituais de sepultamento e a dor que lhe pintava a cara.
Às vezes o silêncio apetece ser quebrado e os limites das mãos alongam-se muito mais que os abraços, muitos mais que a despedida de filhos mortos...
O caixão estreitava ainda mais a sala, as cabeças se atreviam mirar pelos cantos da porta escancarada, a luz do dia apresentava-se sonolenta, luminescência quebrada por violinos que choram.


Janaina Cruz

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Preto e Menininha


Preto era seu apelido, mas na realidade tratava-se de um mulato de nariz afilado e boca carnuda de onde notava-se um desfilar de dentes fortes e perfeitos.
Não era forte apenas nos dentes de um branco incandescente, Preto era todo forte, seus braços eram longos e agarravam longe o que quer que lhe fugisse ou corresse, tinha uma força estranhamente surreal, principalmente no olhar meio de lado, meio canibal...
Preto desfilava pelas ruas da cidade com seu sorriso matreiro a tez novinha, disfarçada por uma charmosíssima barba por fazer e uma penugem negra logo a baixo do lábio, lábios ardentes, lábios diabolicamente viciantes.
Preto e suas pujanças, preto e suas ideias... Preto, Preto, Preto ardente e sensual, Preto e seu sexo descomunal, corria a boca pequena que Preto de ninguém tinha pena, quando pegava, montava, adentrava, sugava, batia, comia, gemia e coisa e tal.
Quando Preto passava, ninguém segurava o mulheril que se assanhava, molhava, enlouquecia, ardiam, tentavam chamar atenção... Nas portas de suas casas faziam mil poses, olhares, assobios, e Preto mal olhava, fazia sempre uma cara de mal, e isso era o que mais instigava e enlouquecia.
Jurema toda assanhada certa vez de sua janela, esperou que Preto passasse e do tomara que caia exibiu suas tetas, tetas fabulosas, redondas, enormes macias... Preto sorriu com o canto dos lábios, aquele sorriso sedutor e atrevido, passou-lhe as mãos pelas tetas, deixando Jurema toda arrepiada, doidinha pra lhe ceder o que quer que pedisse, mas acontece que Preto era muito peralta, excitou, excitou a pobre viúva e saiu sem lhe dar mais nada...
Ela fula da raiva lhe rogava pragas mil, mas logo arrependia-se, queria-o entre braços, abraços, beijos e pernas, queria farta-se de calor, loucuras e sexo...
Escorregadio, cuidadoso não havia quem prendesse o mulato, nem beleza ou sexo, velas coloridas, feitiços ou simpatias, Preto era de todas, Preto não era de ninguém, acalentava as mais velhas, as mais novinhas também, enfeitiçava-as, chamava-as de minhas donas, deitava em suas camas, em suas redes em qualquer lugar e depois de lívidas e lépidas, sumia como se fosse inteiro feito de mágicas.
Preto era como são os gatos, caem sempre de pé, somem no meio da noite, nos becos das ruas, pelas janelas ou coisa qualquer...
Acontece que tudo tem um destino acredite se quiser, Preto garboso, Preto gostoso, Preto da rua, Preto de todas, deu pra cair de amores certo dia, ficou minguado, aguado, ressequido, por causa de uma paixão sem sentido.
Menininha era o seu apelido, mais menina que mulher, de calças largas pés sujo de chão, mais certezas que ilusão, diferente de tudo o que tinha visto.
Não lhe deu atenção, não apertou sua mão, nem um olhar se quer...
Preto todo ressabiado, num não entender-se danado, foi lhe tirar satisfação, e foi um quiproquó dos diabos, pois além de distraída Menininha era faixa preta, era destemida, metida a brigar com que lhe surgisse pela frente, era uma agarra, agarra, ninguém entendia nada, era Preto toda hora no chão... Preto pisado, Preto maltratado, Preto ferido no coração, mas não pelas porradas, nem pelas articulices de Menininha, Preto estava fisgado, apaixonado, abobalhado, por aquele ser de cabelos cumpridos, pele clara, meio sem sal ou sem graça, mas um poço de coisas por descobrir.
Preto bateu no chão, exausto de tentar não se machucar e feliz por ter aqueles braços pequenos, apertando o seu corpo, rodo piando-o pelo chão, pelas ladeiras que desciam até a Consolação.
A roda formada por fora, pessoas fazendo apostas, as moças desesperadas:
- Não machuque Preto, ele é nosso tesouro!
E os homens sentindo-se vingados por causa das peraltices de Preto, querendo ver a raça do mulato acabada, naquela ladeira, naquelas calçadas.
E Menininha acabou seu protesto, deixando-o caído em qualquer lugar, bateu mão contra mão, limpando o suor e o cansaço e seguiu seu caminho, subindo beco e descendo beco, sem nenhum olhar para trás.
Arrodeado de moças, senhoras e moleques atrevidos, Preto tentava levantar, eram tantas as mãos que o apoiavam que fica difícil aceitar, juntou as forças que restavam, levantou do chão cantando poeira, foi ao boteco de seu Nazaré, e pediu que pendurasse na conta toda cachaça que existisse no lugar, pois ele queria sair de lá com as pernas bambas, e a língua dormente, sem lembra-se até mesmo de seu verdadeiro nome.
Mas que cachaça era capaz de fazer Preto sucumbi? Ele lembrava a todo instante, do furdunço da pequena brilhante, que ninguém sabia quem era, de onde vinha ou para onde pretendia ir.
- Preto, Preto, dizia-lhe Jurandi, essa moça tem estradas nos olhos, logo, logo some daqui...
Passou-se dia, semana até mesmo o mês do frio passou, as fogueiras ardiam, o vento assobiava no telhada, e Preto descaia, não era mais o mesmo, nem as brechas da saia de Jandira, nem as fartas tetas de Jurema, nem o sexo quente com Pequena, faziam-lhe mais graça alguma.
-Quero Menininha seu Ló, só Menininha é meu querer o meu xodó...
Ele procurava, perguntava por ela, mas ninguém sabia dizer quase nada, até que um dia lá pelas beiras da tarde, no tempo que o sol já quase não arde, Preto encaminhou para uma parte da praia que era deserta, uma restinga, um restinho de mar, de conchas e areias brancas, quase ninguém anda por lá, pois dizem que tem coisa estranha, algo de assombrado até, aparece peixe por lá peixe de três nadadeiras, dizem até que peixe de pé, volta e meia aparece serpente, colorida, monocromata e até jacaré...
O que Preto viu foi a tal Menininha, nuazinha em pelo, deitada na areia, aparando os últimos raios de sol, com seus seios durinhos, redondinhos rosadinhos, sentiu vontade de tocá-los, mordiscá-los, suga-los lambe-los, tudo junto e ao mesmo tempo...
Preto começou a crescer onde mais sabia, ao vê-la virar-se, deixando a mostra seus glúteos fartos e fortes, então ele tocou-se, latejou, cresceu ainda mais, ficou louco voraz, afoito...
Menininha estava meio tonta, por causa do mar e da aguardente com quem tinha passado a tarde, quando notou que estava sendo olhada, tentou levantar e cobrir-se, mas não encontrou nada, o vento carregou para longe sua roupa e a sua bolsa não alcançava.
Percebendo o aperreio da menina, Preto se compadeceu, guardou o seu membro, agora quase desfalecido, correu a trás do vestido que o vento levava pra junto do mar.
Levo-o até Menininha que já começava a se desesperar, envolveu-a entre vestido e abraços, seu corpo ofertou para amparar.
Ela muito agradecida, pediu desculpas e chorou, até hoje não se sabe ao certo, se foi por medo ou se já era amor.
O que até hoje se fala pelos rastros daquela cidade, é que parecia terremoto, maremoto, algo de nuclear, os dois caminharam juntos para a pequena pousada e foi tão grande a suada, eram tantos os ouvidos na parede, era sussurro era sede, eram garras na carne, era amor, paixão, coisa que arde, coisa que nasce não se sabe o porquê e depois não sabe morrer, aconteça o que tiver de acontecer.
Preto e Menininha, não se apartavam mais de jeito algum, fuderam e fundiram-se, transformaram-se em um só, um ser maravilhado e maravilhoso descendo a pé pelas mesmas ladeiras, sorrindo jocoso como nunca se vil, deixando todo o povo com água na boca, dizem que essa história se passou no Brasil, quem viu, viu... Quem não viu sonha e deseja é coisa de luz e sentimento, coisa que ninguém sabe explicar.

Janaina Cruz

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O último suspiro, ganhador do Prêmio Luso- brasileiro Melhores Contistas de 2013.




Tentei vencer toda essa escuridão que me deixastes
Acendendo o fósforo,
Mas aí surgia um novo medo:
Que a pequena chama apagasse.
E voltasse a memória anterior de uma não existência…
Filhos que são criados sem pais amadurecem observando
Outras vidas, imitando gestos, desvendando segredos.
As vezes me confundi com a história de outros, sem saber
se era a minha voz que falava ou se apenas ouvia.
Meu coração ainda estava inquieto, eu não consegui te traduzir
Imaginei que fosse amor, as pedras que me prendias ao pescoço
E afundava graciosamente a espera de tua mão ajudadora
Mas tua mão nunca quis me salva, quando tu impunhas teu braço na água. 
Era pra afundar-me… Ainda mais…
E salvar a ti.
Quase cai em sono profundo quando as lembranças das dívidas me despertaram.
E já não tinha mais fósforos, acabaram-se todos.
Inexistência obtusa!
Vaguei olhos na escuridão ao meu redor
Lembrei que no telhado havia uma pequena fenda
Por onde a luz da lua costumava entrar
Acontece que essa noite chove
Os figos logo amadurecerão expostos a beira da estrada
E quase serro  novamente as pálpebras
Quando escuto uma voz no meio do escuro.
Um homem muito grande a minha frente
Olhos e cabelos vermelhos como fogo…
Suas mãos são enormes, porém são frias
Frias como o vento que traz a chuva...
Ele diz: “Você tem uma nova chance!”
E meus olhos começam a ver paredes caiadas
Uma menininha de cabelos longos a sorrir
Ela viu nascer uma manhã leitosa
E estava salva do crepúsculo, lúcida, infinita…
E eu também sorri…
O homem de fogo também sorriu cheio de infância
Estávamos em sinestesia
Deu-me um abraço, olhou nitidamente em meus olhos
Fez amor comigo, como nunca antes fiz
Senti ainda seus dedos emaranhando-se entre os meus cabelos
Enquanto morria cálida, lívida e lentamente.

Janaina Cruz


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Heliotropia meu 3º livro de poesia




Tudo está preso ao sol, a sua delicia amarela, as cores que geometricamente deitam-se sobre tudo o que é vivo, o dia como um operário entrega-se ao trabalho confidente da luz, linhas cartesianas movedoras de zodíacos matinais e vespertinos. A lei da gravidade desmentindo auroras, sentença profana por onde serpentearão as mais brilhantes estrelas. O dia se esvai pelo útero da noite, pelas anáguas das horas diminuindo o ritmo, tornando sonífera e leitosa toda e qualquer cor. Como um colecionador de mortes e vidas, logo ele ressurge dissolvendo o negrume, fazendo tudo girar novamente.


A venda nos seguintes sites:


terça-feira, 16 de abril de 2013

Dilatação o meu novo livro



Caleidoscópio de cores que riem ao misturar-se, doces dentes, afiados dentes que despem lenta e profundamente a carne.
Subliminar astrologia apontando dias bons entre os recados gravados e os quadros abismais esquadrinhando o novo voou.
A utopia criou e matou os dragões que a poesia despertou, talhando-os a cegas navalhas, plangiam sois miúdos, plangiam chuvas nos ciprestes.
Enquanto eu preferia estar ali, ao lado da folha rabiscada, interrogada, alimentando ajustes e desajustes.
Eu a menina de mãos de vidro imune ao aprisionamento dos labirintos, porque, perder-se em labirintos é a coisa que mais gosto.

Janaina Cruz

Dilatação  é o meu segundo livro de poesias, a mistura de todas as poesias de vida gestando querendo dar a luz a dias mais belos.


 Á vendo no site:



Peço perdão aos amigos por tanta ausência, logo, logo estarei visitando todos vocês.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Olhar de menina



O silêncio enciumando as palavras
Revirando as coisas, pondo tudo pelo avesso

Interrogações

Interpretações

Desmedidas...

Um olho no gato outro olho na vida...
Os garotos fazem riscos no muro
Há putas e freiras na esquina
Umas querendo a fé, outras querendo a sina...
O medo recriando abismos, mistérios e rotinas.

A página deu vida ao fogo
O abandono precisou de morfina.

E o silêncio por lá, fazendo festa no olhar da menina.

Janaina Cruz


domingo, 3 de março de 2013

Era pra ser diferente



Carregava uma canção azul cheia de vida
Falseando um ou outro tropeço
Mas esse era o mundo só seu
Onde suas vontades vibravam sem correr riscos
Tentou ser como os outros
Tentou
Tentou
Tentou
Mas a vida lhe desmentia,
Escorria-lhe como água das mãos
Descontinuado e mastigado sentia-se
A cada frialdade que percebia a cada não.
A cada paixão corrompida, a desilusão.

Janaina Cruz
                                 



Ouçam a belíssima canção feita por meu querido amigo Virbel Proença Junior [https://www.facebook.com/virbel.proencajunior] e sua banda [Olho Quadrado], falando sobre aceitar as diferenças, quando todos tomarem essa consciência, o mundo será um lugar muito mais agradável.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Flores de morte



Indócil sentir circundando pela pele, através dos
Sentidos quase esquecidos de tão extasiados
A sensação de ardo lembrava-lhe
Toneladas de vida entregues pelo compasso dos móveis
Pelo preço das roupas esquecidas dentro do armário,
E os sapatos que nunca lhe serviam...

Havia a incomensurável vontade de pular pela janela
De sentir a solidez do chão onde passavam tantos rostos frios e desconhecidos.

Tangia aquela sensação de filme hollywoodiano
Mas estava triste, triste e excitado.
O tempo lhe consumia veementemente.
Aquelas curvas, curvas perigosamente femininas,
As pontas dos dedos nos seios pálidos, cálidos,
A ponta do dedo no sexo entumecido.

O álcool já não lhe supria as necessidades
Nem a imaginação
O olfato, o paladar a audição...

Pertenciam a ela.
Era dela aquele coração
Aquelas roupas no armário
Os sapatos que não lhe cabiam
O amor que emanava da posição dos móveis

Da posição do corpo na hora de amar
Na hora de deitar.
Na hora de sentir solidão...

Em seu lugar ficaram o ópio, as putas, as contas para pagar.

Em seu lugar nasceram flores,
E elas cheiravam a morte.

Janaina Cruz

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Madrugadas





O meu átrio direito é permeado pela poesia romântica e a parnasiana,

Só demônios podem nos confundir assim,

 Estendendo-nos fio a fio a tudo que nos encerra e nos começa.

Quem dera o coração tivesse asas ou pelo menos dois átrios esquerdos a mais,

Quem sabe não viveríamos flutuando,

Acima dessa urbanidade que nos consome e nos intriga?

A brisa matinal me inspira, não tanto quanto as madrugas, nem tanto quanto os demônios...

No ventre existe a gula de parir poemas, aberrações literárias que nascem aprazíveis,

Anunciando o que pulsa entre as pernas...

Até que o dia vire noite novamente.

Janaina Cruz

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

ALICE NO PAÍS DA AGONIA



Exilado o coração no peito só respira saudades, saudades acompanhando o cortejo das horas
A cidade leva a nossa saudade, no turbilhão caótico e mesquinho, no correr de nossos passos,
Sempre apresados e atrasados para tudo.
É preciso trabalhar, é preciso estudar, é preciso comprar a feira...
O espelho a confundir a minha imagem sorri o sorriso de outro alguém, digo bom dia para as pessoas que encontro pelas ruas e elas me respondem frases entre aspas.
O relógio de pulso quer que eu corra contra o tempo, mas as esquinas são todas tortas, o calibre do coração não combina com o asfalto molhado, há fome de vida, há mágoas quase esquecidas, há espasmos e esse hiato ancorado na cabeça.
Sou eu Alice no país da agonia, falando pelo coelho:
- É tarde, muito tarde, muito tardes, tarde, tarde, tarde.

JANAINA CRUZ

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O CARROCEL DE FOGO DAS PALAVRAS




Impalpáveis falou-me o silêncio
Sobre as palavras que eu não poderia mais tocar.
E eu que não sei calar, plantei um grão de poesia,
Esmiucei os segredos, os gestos, a sabedoria...
Ateei fogo à estética de tuas frases,
Chorei sozinha...
Tão só...
Sozinha
Sozinha
Dobrei-me as tardes, as noites, ao nascer do dia.
Conduzi a minha nau
Minha quilha cortante como punhal
Agora fulgem as palavras
Todas elas: Inúteis e sossegadas
Gritam enquanto emudeço languida e quase inerte.
Mas a vida pulsa também nas mãos, mesmo que estejam cansadas e calejadas.
Pulsa nas linhas do sonho e do entusiasmo
Eu, eu sei de mim e do que me faz tremer ou fenecer
Conheço os desejos pródigos
Que me fazem condenar as tuas conversas hereges a inquisição:
A alquimia de renascer na vida que havia me esquecido de viver...
[...] Em paz.

Janaina Cruz

domingo, 6 de janeiro de 2013

Indignação



Liberdade

No dicionário:

“s.f. Faculdade de fazer ou de não fazer qualquer coisa, de escolher.
Independência: conquistar a liberdade.”

Será se apenas supomos ser somos livres?

Será que toda aquela luta contra a ditadura foi apenas um conto de fadas?

“Estado oposto ao do cativeiro ou prisão: pôr um prisioneiro em liberdade; à escravidão: dar liberdade a um escravo; ao constrangimento: falar com inteira liberdade.” 

Em pleno 2013 estamos regredindo tanto que temo que daqui a pouco sejamos homens e mulheres das cavernas usando tabletes, ipod, e redes sociais.

É terrível essa constatação, de que não somos livres para respirar ou até mesmo viver nossas próprias vidas, ter nossas próprias ideias, até mesmo amar.

Acreditem, em pleno século XXI, há quem tente nos proibir de amar e ser amado, nenhuma ditadura é pior do que essa!

É ainda mais grave o fato de alguém usar as palavras da bíblia para dizer que o amor entre um homem e uma mulher não existe, a menos que essa mulher seja a mãe desse homem, e que o amor de um homem para com a mulher: “ termina logo,logo em briga e até em assassinato”.

Em meus tempos de psicologia, encantada por Freud, lia que o amor exacerbado de um homem para com sua mãe, significava tratar-se de um complexo de Édipo, trauma que pessoas carregam ao longo da vida e não conseguem manter relacionamentos com mulheres que não sejam como a figura de suas mães.

Não estou dizendo com isso que seja errado morrer de amores para com suas mães, tenho filhos, e adoro que eles me amem, mas eles sabem o lugar que ocupam em minha vida.

Essa semana, postei uma foto minha com meu amado esposo num espaço: Google+ com uma poesia que fiz pra ele, e escrevi na foto o seguinte dizer:  Amor pra toda vida!

Eu o amo pra toda vida sim! Esse é o meu sentimento, a minha vontade, tive a sorte de conhecer um homem honesto, bom, gentil, sensato, que cuida de mim e dos meus filhos e acima de tudo, me respeita demais, como não amá-lo? Como vou pensar em brigar com esse homem, ou se esse amor vai durar ou não, ou pior, como vou pensar em assassinato?

Isso tudo me fez refletir o seguinte:

Estamos sabendo mesmo fazer uso das redes sociais?

Os norte americanos acham que não, que Brasileiro quando se mete a fazer uso de uma rede, logo estraga tudo, o próprio criador do facebook, disse isso:

“O canal de notícias CNN disse que Mark Zuckerberg está triste com o comportamento dos brasileiros na rede social Facebook. "Se por um lado, os brasileiros fazem o Facebook crescer, por outro estragam tudo”

Generalizam-nos, por conta de alguns, eu vejo pessoas fazendo bom uso das redes, vejo pessoas desaparecidas terem sido localizadas, devido aos compartilhamentos de fotografias ou histórias, vejo que pessoas de com coração tirando animais das ruas e conseguindo pra eles novos lares, eu mesmo já fiz isso, e nunca me senti tão útil.

O que me assusta nisso tudo é que pessoas usem essas mesmas ferramentas para escrever o que um cidadão que num devido site falou ser contra:

“BULLYING, A PEDOFILIA, A GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA, DROGAS,DESIGUALDADE RACIAL, VIOLÊNCIA NA ESCOLA, TABAGISMO PARA ADOLESCENTES “ 

Comentou na postagem em que estava à foto que citei ai em cima o seguinte:

“Amor pra toda vida, só de mãe, querida - o resto termina logo, logo em briga e até em assassinato. Iludidaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa”
Primeiro o google+ é meu, o marido é meu, o sentimento é meu, e eu não convidei esse cidadão para fazer parte de minha rede, apenas o aceitei, isso não lhe dava o direito de escrever o que escreveu em uma fotografia de amor, se ele acha que o amor entre um homem e uma mulher é incapaz de existir guarde isso pra ele, ou dê sua opinião quando consultado.

Bem essa é minha forma de demonstrar indignação, não vou ficar trocando farpas com ninguém, o mundo anda precisando é de paz e muito amor, não de coisas toscas como essas, não quero fazer parte dessa coisa que acho tão vulgar e suja.

Eu quero ser livre!!!

E quem não quer????

Então toda vida que sentir que alguém ultrapassar os meus limites, eu vou ter essa atitude sim!!!

Pessoas como eu morreram, foram exilados, transfigurados, agredidos, presos, para que outras pessoas pudessem expressar o que sentiam o que queriam ou como gostariam de viver.
Quero ter a liberdade que sonhou Belchior

“Para abraçar meu irmão
E beijar minha menina
Na rua
É que se fez o meu lábio
O seu braço
E a minha voz...

Janaina Cruz

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

2013

O novo ano já está aqui, fazendo-me gratas surpresas, fui uma das vencedoras do concurso de fotografia do blog Enredo de Ideias, amei Bruninha e Jéssica!


NOVE DA TARDE



Crisálidas tardias levadas pelo vento do assombro
Meninos assoviam alguma canção pelo ar
Uma trova sobrevive em meio aos escombros
Amores que não querem e não vão parar!

Mas já é tarde, tão tarde...
A paixão morre e renasce
E agora são nove da tarde

Janaina Cruz

Poema inspirado no blog da Helô

Um ano maravilhoso pra todos, que Deus abençoe todos vocês.
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