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sábado, 5 de novembro de 2016


Estou parada no escuro
O breu torna insensível por completo o meu tato
E os outros sentidos também...
Há um dueto acontecendo entre a minha mente e a chuva ruidosa.
Já estávamos perdidos,
Senti todas as fases do fim.
O fim é a única coisa real!
O peso e a dor  nos ajudam a desabotoar as fantasias.
Perguntei naquele tempo a mim mesma 
Seria capaz de suportar aquela dor?
E fiquei surpresa com todas as dores que pude suportar,
A dor que mais doeu foi a dor do meu nascimento,
E as  dores dos partos dos meninos que arrancavam as asas das borboletas...
Odiava quando teus pés impacientes batiam nos meus em madrugadas frias.
Débeis horas insones, dois tragando solidões e desesperanças frívolas...
Agora só a mão da escuridão toca a minha pele, calando o meu corpo, vívidos estão apenas o instante, a mente e a chuva ruidosa,
Mas logo hão de cessar para sempre...

Janaina Cruz

terça-feira, 17 de maio de 2016

Curvas


Em teus braços, borboletas mortas.
Agudas cores cortadas ao meio
És vermelha...
Asas crestadas
Tremulas mãos...
A luminosidade dos meus olhos
Perdem-se em tuas curvas,
Em tuas coxas...

Janaina Cruz

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A tarde


A tarde implantou em mim
Tua saudade!
Ânsia
Saudade
Saudade
Ânsia
Combinei com o tempo,
Joguei com o tempo
Como num tabuleiro,
Casa sim,
Casa não,
Que o acaso me traga você
E por acaso,
Tu habites a minha órbita,
E que o amor, como no cinema,
Transforme tudo em um final feliz!


Janaina Cruz

sexta-feira, 30 de outubro de 2015


Era pelo avesso que mais gostavas das coisas.
Arrancavas as asas das formigas, pois sabias que ia chover, sempre sabias!
A chuva tornava mais linda a flor de urucum, e com ela tu pintavas os cabelos e os lábios, dizendo-me entre sorrisos que não era pra temer nada...
O meu silêncio permanecia, um silêncio de estátuas, de mortos, o som vital que entrava pelos cômodos da casa vinha de outros lugares, sirenes e vozes desconhecidas...eu me distraia enquanto injetavas em mim os teus venenos, entravas em mim, em minha corrente sanguínea, desmistificando os meus limites, virando a minha alma pelo avesso, meus silêncios, meus medos...
Instalou-se em meus lugares escuros e nebulosos...
Eu posso te ouvir...
Sim, posso te ouvir...
Eu ouço a chuva...
Janaina Cruz

domingo, 2 de agosto de 2015

Adeus



Ah, mas era muito tarde,
O relógio havia me enganado mais uma vez,
A culpa era mesmo minha, vivia deixando tudo pra depois
O conserto do relógio inclusive.
Pela pequena fresta aberta na porta
Vi luzes e silhuetas,
Talvez fosse você
O mesmo corpo longilíneo,
Os cabelos curtos no mesmo corte,
Mas o andar mais cansado do que de costume,
Talvez mordesse os lábios na tentativa de disfarçar o humor,
Talvez quisesse arrancar a minha alma a dentadas...
Dei meia volta, meus passos ecoavam pela rua,
Rua tão acostumada aos passos meus que não era difícil identificar as erosões causadas por minhas idas e vindas.
Sob este mesmo cenário eu a esperei tantas vezes
Olhos pregados no relógio que sempre me enganou,
Mas a culpa era minha, pois teimava em deixar tudo pra depois
Inclusive o adeus...

Janaina Cruz

sábado, 6 de junho de 2015

Lua


Antiguíssimas raízes

E folhas de vidro,
Música ao longe,.
Longos cabelos da manhã leitosa...
E tu ainda imperativa no céu
Levas os pássaros nas mãos de maré
Oh, Lua, lua alada, lua cor de prata,
Multiplicas os mistérios da vida...
Segui-la-ei ao longo dos espaços
E que nos espasmos de meus pés,
Façam-se caminhos...
E no sibilar das palavras
As mãos do conforto me confortem,
E que toda sorte seja plena.
Sob o céu viajas, entre os dedos ternos da noite,
Entre os braços do mar
Onde em maré alta, as ondas sobem para beijá-la.
Oh, Lua, lua, alada, lua cor de prata.

Janaina Cruz

domingo, 19 de abril de 2015

A nave da noite



Dissipa-se a poeira do tempo,
Restando-nos a dura realidade,
Buracos negros nas horas,
Sumidouros de tempos incomuns.
Quero os teus dentes rasgando todos os silêncios,
Estraçalhando, partindo todo o abandono
E as dores que assombram os retratos e as realidades.
Somos banais, comuns, meu hálito tem o cheiro de guerra
E sangue, sangue ácido, meu beijo é quente de mais para ti.
Teimo em tocar sua ausência, tento torcer-lhe o corpo,
Machucar o teu sexo...
Descanso em teu vértice inexistente,
Cismo que não há você, 
Porque depois estou abraçada a miragem da lua, nua e cruel...
Pálido vigor!
O embaraço da luz atrapalha os meus planos,
Há escuridões enrijecidas sobre nós e sobre toda a cidade,
Inquietudes e tédios pelos shoppings e pelas telenovelas.
Um cego decifra a charada por mim
Dedos espalhados tateando realidades e sumidouros,
Coisas que eu não sei, coisas que eu não quero mais saber.
Detesto surpresas e tu não me surpreendes mais.
Aprendo a ler as rosas pelas cores, pelas dores de cada vegetal.
Sobre a mesa só migalhas e é preciso dormir cedo,
É preciso saber caminhar para a morte,
Toda essa transitoriedade, enquanto a nave da noite já começa a partir.


Janaina Cruz
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