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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

É pra sempre!

Porque é amor--->&

[ Infinitamente amor ]³

A todos ótimos festejos de fim de ano, logo estarei de volta...

domingo, 18 de dezembro de 2011

Minha rosa cálida da meia noite



Um sonho triste rasgou a noite
Um sonho oposto a poesia
Um sonho que a manhã enforcaria
Acabando o espanto e a agonia...

Caí  

                         No


                                                                 Sono...



Minutos


                          d
                                             e
                                                        p
                                                                    o
                                                                             i
                                                                                        s 
.
.
.

E  tu era a minha rosa
A rosa que o vento nunca declina
Meu raro poema, minha melhor prosa
O cheiro de mato da verde colina

Rosa morena
Que em noites cálidas
Eu fogo e tu palha

Brasa da noite
Brasa
Acendendo estrelas
Que o breu apaga

Jana Cruz

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A donzela e o diabo



Essa história sucedeu lá pros lados da Bahia.
Terra do carnaval, Dorival, da pimenta e dalegria. 
Numa certa ocasião o diabo aparecia. 
Flertando com toda gente, enganava e sumia. 
Misturava muita coisa religião e sodomia. 

O diabo era ardiloso conquistava com presentes. 
E por dentro era feioso, rancoroso, impertinente. 
Puxava uma nota de cem deixa a muitos contente. 
Fingia ser gente de bem, passava até por crente. 
Depois de escolher a vítima afiava logo os dentes. 
Sugava tudo o que tinha deixava a dependente. 

Disfarçava-se de elegante, usava máscara de formoso.
Sem disfarce era magrela, barrigudo e invejoso. 
Até parecia sensato, inteligente, respeitoso. 
Dá bíblia sabia tudo, de traz pra frente o engenhoso. 
Mas Deus não lhe dava bola, oh! Troço ruim e mentiroso... 
Em alguns dias da semana ia pra culto religioso. 

Desencaminha mulher casada a população denuncia. 
Homem, menina, velhinha a vizinha até se agonia. 
Inventava muita rima, prosa e até poesia. 
Tacavalhe maquiagem pra tentar uma melhoria. 
Usava os seus poderes, seus olhos eram seus guias. 
Pegava o que surgisse pra provar sua teoria. 

Na peleja do diabo abriu-se um buraco no chão. 
Caiu nele uma donzela de cultura e educação. 
O bicho abriu as asas parecia um pavão. 
Fingiu que era amor, coisas do coração. 
Levou ela no bico, jogou a na escuridão. 
Valei-me meu padim padre Cícero, nossa senhora da Conceição. 

Com um terço na mão implorava a bixinha. 
Nossa senhora me defenda minha mãe, minha madrinha. 
Me traga um pouco de luz, alguma ideia, uma coisinha. 
Que me faça sair dessa, nem que seja de noitinha. 
Faço tudo o que quiseres, serei pra sempre boazinha. 
Cai nessa sem querer, foi coisa de relance. 
Fui dar bolas para o cão, e logo entrei entranse. 
Cai no conto do maldito, preciso de uma chance. 
Sei que tem uma saída e que está ao meu alcance. 
Pra enganar o descarnado penso em algum lance. 
Aviso que sei dançar e peço que ele dance. 

Quando o sete caras for dançar empurro o na água benta. 
Tomara que quebre a cara e tudo que lhe sustenta. 
Amarro-lhe uma cruz quero ver se ele aguenta. 
Camaleão mascarado vamos ver o que inventa. 
Depois de cair a máscara tua maldade aumenta. 
Cresce também a idade pra mais de cento e cinquenta. 
O bicho é feio mesmo pior do que aparenta. 

Depois que o bicho morreu foi só felicidade. 
A donzela o venceu com sua serenidade. 
Encontrou o seu moreno homem de virilidade. 
Beijou suas mãos e lábios com tanta docilidade. 
Agora a coisa é outra, uma nova realidade.

Janaina Cruz

sábado, 10 de dezembro de 2011

Um natal diferente


Noel não pode atender 
 Deixe por favor o seu recado
 Tá abismado e tem porquê
 Não é o mesmo do passado
 Está até passando mal
 Sem capital
 Faltou comida
 Famílha unida
 O escambal...
Tinha criança mendigando
 Uma senhora alí chorando
Tinha drogas nas esquinas
 Prostitutas tão meninas...
 Soltou as renas no quintal
 Vão pastar no matagal
Vou me empregar no carnaval!
 Adeus hipocrisia
 Acabou se a agonia
 Vou me embora pra Bahia
 Reformulei o meu papel
 Não sou mais papai Noel
Agora eu sou o tal
 De roupa colorida, de barbicha atrevida
 Agora sou papai carnaval
 Rôu, rôu, rôu... 
Janaina Cruz

Que o natal seja muito mais do que abraços e trocas de presentes, que todos os dias sejam dias de bem querer ao próximo...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Marca no pescoço


Já ofereci a minha pele para tua morada, nela podes guardar e empilhar teus desejos e beijos e, a beleza dos teus lábios desenhados em meu pescoço com raízes inesgotáveis, prenhes de ternuras naturais e circundantes. 
Tua força, teu volume resgatando cuidadosamente os meus impulsos, as minhas demandas.
 Esse amor não pesa e, acho que não envelhece também, mesmo que envelheçamos nós e criemos muitas rugas e o tempo dissimule o começo. 
Quero sempre amanhecer em ti, sem distâncias, resistências ou esquivas. Esse amor vem de uma dimensão maior que a nossa... 
Ardemos em poemas sem rasuras, composta de doações, e nenhuma antepaz agônica, em nosso fogo azulejam canções. 
Pode até nos agradar o anonimato dos dias, que sejam consagrados pelo fascínio. 
O desenho que o teu desejo deixou em meu pescoço, meio azul arroxeado, meio angular, me fez viajar, vestiu meus pés descalços, meu passo a passo a sinuosidade de linhas consentindo a total ousadia desse amor. 

Janaina Cruz

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O mulato


Amo a tua mulatês convidativa e, a disposição dos teus pelos macios, cheios de noite. Teus olhos, duas obras primas que desdormem a beleza do dia, duas águias conversando sobre teologia com Deus, admiráveis águias negras que me capturam e fazem de mim o que quiserem.

Carnudos e polêmicos lábios teus, asas onde voam meus desejos mais irracionais, neles é que verdadeiramente mato a minha sede, possuem um vinho feito para os deuses.

Língua em hélice meu mito fundamental, frisson diurno e noturno, feito pinceis de Brodovski a criar no céu de minha boca. Teus temperos e feitiços...

Ai, o teu peito debruçado sob um forte tórax, ágil e musculoso, meu travesseiro de devoções , tabuleiro perfeito para criações de inimagináveis poesias...

Quando nossos corpos estão despido, colados, a sensatez nos assiste de binóculos, há uma necessidade instintiva a nos deduzir escandalosos. E depois, no teu peito deitando harmonicamente a minha cabeça, hospedas-me em tua paz, acaricia o meus cabelos, enquanto divido contigo a minha poesia e minha religião.

Tua dança não me cansa e, sei que até te assusto, quando depois de tudo as minhas mãos tão curiosas ainda insistem em perder-se nas principais alamedas do teu corpo, corpo tão bem construído por Deus... Minhas mãos quase repousam inquietas e clandestinas no lugar que rapidamente está hirto. Não há demora, te esperneias, teu corpo latente reclama o teu.

E nos misturamos, a minha luz de leite e a tua mulatês de Esfinge que devora...

Em horas sãs

Horas e horas sãs...

Inserido sem freios em meu ventre, fazendo-me vislumbrar estrelas esferoides que passeiam anonimamente em meu prazer, teu prazer, em meus prazeres, em teus prazeres...

Explodimos fascinado pela perturbação interna, unindo nossas composições naturais, na vibração de um milagre, na tapeçaria de felicidade simples e concreta.

Janaina Cruz

Nossa canção:




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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O forjador de borboletas

Abandonou aquela antiga expressão de sonhador risonho e lírico.

Pintou no rosto uma boca triste.

Quem sabe assim não estaria agora livre?

Tantas vezes a canção da vida lhe feriu os tímpanos, os sorrisos, os sussurros, até mesmo o amor...

Queria apenas paz! Chegou a dizer isso aos seus amigos.

A paz transformada em borboletas de papel, azuis, vermelhas, amarelas, todas chegariam até o céu. Anelava -lhes entre os dedos, emprestava -lhes ao vento amigo, antigo... Tão antigo quanto os nomes e telefones.

Do desejo herdou o gosto de metal na boca , a dor fazia-o urrar como um animal.
A remota ideia de que a dor lhe fosse eterna, arredondava -lhe as palavras, que sangravam a ermo, sem sujeito e sem ação.
Ah! Mas como o céu está bonito...
Esse vai e vem ritmado de lembranças, misturando tudo, fazendo tudo ficar desequilibrado, como fazem as borboletas lá no céu, quando perdem o impulso de voar...
Mágicas e pacíficas tesouras que ferem o papel, mas acalmam o forjador de borboletas.

Janaina Cruz

terça-feira, 22 de novembro de 2011

As coisas quando somem

São engraçadas todas coisas quando somem

Um certo par de brinco que deixou o outro sozinho

O desconhecido que sorria sem ter nome

Aquela blusa branca e rosa de lacinho

Um disco antigo de vinil empoeirado

Um massageador que nunca usava importado

O documentário sobre o lixão do Marcos Prado

Um celular desmantelado, um caderninho enfeitado

As margaridas do jardim da minha tia

Aquele beijo que em sonho me pedias

O nervosismo, o manifesto a agonia...

A lembrança me sorria e, sorrir assim me entristecia...

Janaina Cruz


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Uma canção para Clara

Clara, doce menina, a vida te fez filha e eu fiquei muito contente

Sorria Clara sorria...

Coloque estralas nas varinhas de condão

Perceba as folhas que dançam na ventania

São borboleta que quando cessa vão ao chão

Quando o peso do viver te magoar de imediato

E a alegria do presente

Se esconder em teu passado

Saiba que a vida pode ser bem mais contente

Quando o dia se sentar no pé da serra

E com um beijo acordar verdes campinas

A poesia colorir o que há na terra

Improvisando o invisível das esquinas

Abater silêncios que dormiam nas janela

E tudo isso é para ti minha menina...

Janaina Cruz


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Pétalas

Meu amor, meu presente...

As buzinas dos carros atrapalham a musicalidade dos passos dos transeuntes, mas o passeio não se torna desagradável, esqueci de pentear os meus cabelos, e ainda assim sinto-me erótica.

Há frases de revolta pelos muros da cidade, e uma balada de amor vazando de alguma janela.

Meu pensamento volta a alguns instantes atrás , no momento em que abria a porta de nossa casa, e vi corações por todos os lados, declarações de amor, derramadas pela mesa, pelas cadeiras, na luz dos teu olhos,em tua mão forte, delicadamente cruzada na minha... Senti tanta paz no calor de tuas mãos...

Como num passo de dança rodopiou-me, colocando-me de frente pra ti... Beijou-me, beijou-me com um beijo de tirar o fôlego, deitou-me em nossa cama cheia de pétalas... Pétalas que escolhestes tão cuidadosamente...

O cheiro de rosas vermelhas misturaram-se ao teu em meu corpo...

Agora levo-te comigo enquanto tenho que sair, e meu corpo ainda treme imaginando tuas mãos, teus movimentos, toda tua voracidade quase juvenil... Um sorriso escapa aos meus lábios e só agora percebo que todo meu passado foi levado embora, quem fui já nem sei mais, sinceramente já não me importo!!! Eu só quero ser tua, tua e de mais ninguém...

Janaina Cruz

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A menina e a raposa

(Menina) Querida raposa sob que auspício subjaz o amor e a vontade?
(Raposa) Doce menina o amor é uma sensação quente parecida com o fogo que aquece e espanta as trevas. Tão forte que tudo consome, tão frágil que uma lágrima é capaz de apagá-lo.
(Menina) Então foi isso! Ontem chorei, chorei como se fosse chuva, oscilei como se fosse vento, não consegui sentir o sol...
(Raposa) Pobre menina, agora hás de ficar mais esperta. O amor é também lenha, as vezes guarda brasas que as chuvas não conseguem enxergar. Não temas a escuridão, nada é completamente teu, nem essa escuridão que te faz tatear como um cego, nem esse amor que te consome, e tudo é teu no momento em que imaginas que estejam em tuas mãos. Enquanto dormes tanto o amor quanto a escuridão, tornam-se andarilhos, escorrendo pelo silêncio de tudo o que nunca dizes...

Então a menina corre, deixando para trás a raposa e suas fabulosas palavras, entregando as, conselhos e os olhos da raposa ao universo pagão.

Janaina Cruz

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Tomates verdes e carvão

A dor passou, passaram também meus jovens anos.
Juntei todas as esperanças uma a uma, para jogá-las fora, todas perderam a validade.
Deito-me no frio chão que me acomoda como são acomodadas raizes de lírios ignóbeis.
Meus olhos despem-se da usura normal, a certeza tem deixado de ser pálida e mal acordada.
O entardecer da vida como o sol que se põem para nos despertar para a beleza das primeiras estrelas, o antes e o depois da fé.
Quando se descobre todos os significados já se faz tempo de partir

Janaina Cruz

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Guarda Chuva


Bellíssima fotografia encontrada no site: (http://liquidnight.tumblr.com/)

As vezes olho para o tempo e advinho: Hoje acho que vai chover!
Ou tanto faz...
Esse frio que transpõem a minha janela é a saudade, esse sentimento que cresce e deixa meu mundo mais triste, e na boca um mau gosto.
Um juízo final vagaroso.
As cores parecem morrer...
Talvez sinta mendo, talvez só seja dor...
Esqueço a caneta sobre o papel, a minha mão sobre a caneta e o meu olhar sobre um retrato quase antigo.

Janaina Cruz

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A idade da noite

Qual é a idade dessa noite?
O que ela espera de mim?
Sinto o vento brincando em meus cabelos e por dentro do meu vestido.
As luzes lá em baixo incendeiam a cidade que parece adormecida, esquecida que hoje é sexta-feira, dia em que a maioria das pessoas vestem-se de personagens e inventam felicidades passageiras, tão sensíveis quanto borboletas na chuva.
Uma gargalhada vinda não sei de onde preenche o ar e a memória, pois assim certa vez também sorri.
Um sorriso solto como folhas que caem de velhas árvores na praça, onde as cigarras cantam lindas canções de chuva e nimguém percebe.
A solidão divide espaço com o rapaz que tenta me beijar, noto que ele anda incomodado com a maquiagem em meus olhos e com a minha falta de fé na humanidade, cita Gande e Cristo, e eu me distraiu com as ultimas estrelas e com a idade da noite.

Janaina Cruz

sábado, 1 de outubro de 2011

Estou livre


Bellíssima fotografia encontrada no site: (http://liquidnight.tumblr.com/)

Sinto-me leve! Tamborilam dentro de mim sons para que

Sinta-me livre . ..

Livre como um poema que se escreve sem razão, sem regras

O poema da alegria queima em mim querendo fazer o meu sorriso viajar

Eu já chorei mais forte que a chuva

Já trouxe nas roupas o cheiro de um outro alguém

Conversei longamente com as rosas

Gravei na retina fotografias que tanto olhava

Mas não fui cega, o amor esse cego guardião

De desejos e tristezas entregou-se a julgamentos

Julgamentos são matilhas que devoram a qualquer um...

Percebo a luz da lua salpicada de escuridão

Mas eu não sinto medo

Estou livre!

Não me importo se existam palavras ou silêncios

Estou livre!

Não me importo com o fio dos números dos dias

Estou livre...

E quando estiver distraída, quero amar novamente

Janaina Cruz


Amigos perdoem-me a ausência, estou morando em outra cidade e por lá não disponho de computador, por isso tem sido dificil retribuir todas as visitas, pode demorar, mas tenham certeza: Visitarei a todos!
Que Deus os abençoe.


sábado, 24 de setembro de 2011



Um pássaro, hoje sou eu assim, com a gaiola quebrada
Com asas cortadas, procurando a mão protetora para pousar
A liberdade a tanto tempo negada causa-me medo
O que aconteceria, se voasse por cima das árvores, ou se sentisse a adrenalina do vento por entre as minhas penas?
Seria loucura abraçar os raios solares?
É tenta imensidão de céu e tão inútil
A chamada liberdade é meu grito de suicídio
Vibrante ...
Atônito...
Meu canto metamorfose, horas triste, horas tudo
Dádiva de incêndios
O aço de tua prisão raivosamente açoitava-me
Embrenhava-te em minha carne
Em meus desejos em todos os meus beijos
E os beijos que te dei, não os dei a mais ninguém
Nem aos que me mandam cartas perfumadas
Essas horas absurdas, esses meses sem sentido
Toda a falta de sintonia e senso
Pouco importa-me a porta dessa gaiola aberta
Não aprendi mesmo a voar...

Maldição!
Maldição!

Eu pássaro , não aprendi a voar...


Janaina Cruz



domingo, 18 de setembro de 2011

JANAÍNA, UMA CANÇÃO E UM POEMA



O que devo fazer
Para ter-te aqui
Iluminando meus sonhos,
Moça de luz?

Os teus cabelos são negros,
Os teus olhos castanhos...
Tens um sorriso de estrela!

Diz-me até quando
Devo esperar-te...
Pois antes que desça
A noite sombria...

Quero de perto ser teu poeta,
Escrever-te uns versos que fale de amor,
Que fale dos deuses, do encanto da vida!...

Tu és tão menina
Que mesmo à distância
Tu me fascinas
Porque estás nos meus sonhos...

Meus sonhos noturnos
Nos meus sonhos poéticos...
E assim em silêncio, são teus sussurros
Que me acalentam à noite!

(Antonio Carlos Menezes)
é simples! feito com carinho!!!


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Mulher flor

Bellíssima fotografia encontrada no site: (http://liquidnight.tumblr.com/)

De marfim e sorrisos , sangue e vísceras
Paisagem menina
Abstrata mulher sol
Quantos verões eu preciso
Para virar flor?

Janaina Cruz

domingo, 11 de setembro de 2011

Um olhar marginal

Trazia desenhado nos olhos retratos da ultima desgraça
Nos sonhos amarras e nada de bom
Mão vazias, vontade de brumas
Tatuagem no braço
Caminhos perdidos
Mas não se achava nada estranho
Tentava contar folhas miúdas das árvores
Atravessava as ruas revendo antigas janelas
Sempre descalço, nada tinha para calçar
Dormira em tantas camas, as vezes nem cama lhe ofereciam
Dormia em qualquer lugar
Não, ele não estava perdido
Sabia seduzir certas mulheres
Fazia-se de filho, depois de amante
E desconhecido se fazia afinal
Suave, precário, era assim o seu destino
Um observador engendrando-se
Em desculpas marginais

Janaina Cruz

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Tempo perdido


O tempo morre sangrento na palma da mão, manuscrito e marcado por escolhas erradas, decadentes escolhas, capazes de nos fazer (in) voluir, expondo angústias e senssibilidades, ensinando nos como ser ridículas almas.
Se te contentas com falsas estrelas de latão, continuas e não te importes em ser-se comparado a um útero infértil.
Prefiro ser um ser errante, um ser louco, vadio, alucinado a procura de uma lua que sobeja e mora no olhar de um qualquer.

Janaina Cruz

Amigos, obrigada pelas orações, pelas palavras de carinho, afeto, pelas ligações, pelo amparo, pelos convites , pelas guaridas, logo estarei estabelecida e voltarei a blogar e a visitar a todos vocês, neste mesmo blog, não tenho porque mudar de lugar, o passado é um tempo que foi embora, não um fantasma a atormentar o meu presente.
Deus abençoe a todos

sábado, 3 de setembro de 2011


Caros amigos, meu Esferografia chegou ao fim, mas não é o fim da minha poesia, nem de minhas loucas criações.
Estou precisando muito da atenção de todos vocês, a minha vida anda uma verdadeira roleta russa, cada dia que passa é um novo desafio, as vezes sinto-me triste, as vezes sinto-me só, mas é coisa de ser humano... Num outro momento surgem pessoas dando-me atenção e carinho,temo que tudo isso seja passageiro e, de repente veja-me só novamente, mas mesmo assim, acenderei minhas luzes de fé.
Meu filho do meio passou por uma cirurgia muito delicada, ainda está na UTI, infelizmente não posso ficar com ele, mas quando não me percebem, os médicos e enfermeiras fico pelos corredores e recepção, esperando sei lá o que... Quando não dá mais pra ficar por lá, fico perambulando e pensando mil coisas, então tive a ideia de um novo blog, e nada melhor que começar com uma de suas belíssimas criações.

http://ondemorameuspoemas.blogspot.com/

Conto com todos vocês visitando a minha nova casa

Obrigada

Que Deus abençoe a todos

Janaina Cruz

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Velha imagem


Desculpem-me amigos, desculpem-me

Perdoem-me toda ausência e silencio

As vezes o tempo nos impõe coisas assim

As vezes nos impõem desalento

As vezes nos entorpece

As vezes é só dor...

Tenho com vocês um elo inquebrável

Me farei presente seja como for

Acontece que esse momento

É tempo de deixar silenciosa a minha poesia.

Pelo menos por aqui

Sussurrei algo, e voltarei, não sei bem quando

Nem onde, nem o porque

O que sei é que vejo-me no espelho como uma fotografia gasta

A poesia me enganou, ou eu resolvi me enganar

O engano me trouxe chama e calma

Coisas que carrego entre os dentes

Estarei aberta, esperando o voltar da poesia


Janaina Cruz


( Um abraço a todos )

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Um anjo vândalo

(Quando não uma peste, sou um anjo...)


Diáfano dia
Uma falta óbvia de sol
Cinza, cinza, cinza
O dia nasceu cinza
E entrou em meus olhos como flecha
Tão lentamente que nem senti
Talvez desequilibre meu voou
Minhas asas vândalas
Chegam a precipitar-se.
Os teus mapas não passam de alfarrábios
Litografados por lágrimas minhas…
No canto da sala há uma sombra azulada
Cheia de enigmas
Mortas mariposas fundidas a lâmpadas fluorescentes
O juizo desencaminha-me
O cheiro, os pés a solidão
O vento que move as cortinas
As trilhas do meu coração

Janaina Cruz


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Meu pequeno grande admirador


Fim de tarde aprazível
Café, canção e conversa
A luz, a textura da tarde
Um sol que não arde
Diminuido e, a noite descendo claustrofóbica
A distração o senso estético
Coisas distintas, respiração.

Mas de repente tudo mudou…
Como se abrissem cortinas sonolentas
De um grande teatro de sensações.

Bem ali na minha frente
A encarar-me fixamente
Um garotinho, nem um pouco assustado
Olhando-me encantado, sem medo
Sem programação.

Isso é que torna tudo mais lindo!
A falta de ensaio e experiência
Ele me olhando bonito
Eu derretida em sorrisos
Balançando-lhe ternamente a cabeça.

Agora todos os dias é assim,
Ele chega e fica no mesmo lugar
Quando olho ele já está ame olhar
É engraçado pensar
Que ele deve achar
Que sou a moça dos contos de amor...

Janaina Cruz

terça-feira, 19 de julho de 2011

Conto ( Um quase amor )

(Imagem recolhida na net)

Seu nome era Carmélia, tinha incontáveis admiradores, precoce, inteligente, gostava de música e de política, só sobre religião preferia não falar.
Quando viu Carmélia o jovem Caio tremeu, temeu não possuir maturidade suficiente para chamar atenção daquela moça e, de súbito imaginou-a em seus braços, falante, sedutora com aquele baton carmesim.
Tontamente irresponsável seguiu em sua direção, recitando : “ Noites loucas- Noites loucas! / Estivesse eu contigo / Noites loucas seriam / Nosso luxuoso abrigo…” da Dickinson, instigada a moça olhou-o incandescente .
Ele rompeu os seus limites.
Enviesaram-se por noites e noites para desespero e excitação de seus vizinhos, gostava de tudo a menina, nada era assustador ou doloroso.
O roteiro de suas vidas seguia seguia lépido, lívido e ele a queria para sempre, de aliança e papel passado, vendeu sua casinha que recebera de herança , vendeu o carro velho, compraria um romântico sobradinho, cheio de flores e de janelas... Ela pulou em seu pescoço, cobriu-o de beijos sem fim, gritou aos quatro cantos, sem vergonha, sem tremores e medos: “ Aceito! Aceito! Aceito!
Mas a lingua do tempo que o nosso pensamento não alcança, escurecia as cores das alianças, escurecia o desejo e as ardências, onde estaria a louca e adorável Carmélia, com seu gemidos, gozos típicos? Só restou fotografias e lembranças, e algo tépido na balança e nenhuma esperança.
Calou-se a música do sucesso que incomodava ou excitava alguns vizinhos, o carmesim perdeu a cor, desbotou, o sonho acordou, Caio agora é só dor, e Carmélia afoga-se na vodka, o sombrio sobradinho agora é só solidão, a solidão acompanhada que um dia foi uma linda história de paixão.
Nenhum dos dois sabe dizer adeus, não conseguem mais amar, mas deixarem-se também não sabem.

Janaina Cruz

( Gente a Tereza é um gênio, ela transforma nossas poesias em fragmentos vivos, quer algo mais belo que isso? Assistam ao vídeo com uma de minhas poesias, eu achei super perfeito e recomendo! )


sexta-feira, 15 de julho de 2011


(Eu em janelas, na janela do olhar)

A janela da frente

Da janela da frente,

Vejo o amor esconder-se

Nos bueiros da rua

Lá onde não bate o sol

Nos submundos


Mentiras modestas

Sobrevoam como moscas .

O encanto está ausente…

Presente se faz a confusão

A solidão, a podridão…


O que está acontecendo?

Será se a culpa é minha?

Será se a culpa é tua?

Será se a culpa é nossa?

Ou de quem será a culpa?


Meus olhos marejados

Já não conseguem enxergar

Nenhuma cor

Olhares adúlteros nos roubaram

O desejo de nos ver dois como um

E um como dois


Depois de ti

Aprendi a não gostar de cores…

Preto, branco, chumbo, cinza

São as cores que ficam na

Despedida.


Janaina Cruz


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