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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Um anjo na chuva











Como é gostoso ouvir a música da chuva
Um anjo sem asas caído de uma núvem  qualquer,
Distante do céu,  sentia-se um oxímero  colorido
Querendo ver de perto a cor das flores...
Da janela o vi dançar na chuva
Seus pés estelares mudando a extensão desprevenida.
Tornara-se gigante, agigantava-se também a chuva
Que o abraçava e o acolhia tão carinhosamente.
Misterioso, proliferante, um relâmpago
Iluminando uma manhã de domingo
Fria e úmida , amordaçando a parafernalha
De um carnaval de cinzas suicidante.

Janaina Cruz

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A canção da negritude dos cabelos


Escondi na negritude dos meus cabelos a luz da tua voz, que avança, irrompendo as paredes dos desejos de um arrepio mais veloz.
Emudeço quando olho em teus olhos, o amor está ali, o amor também sou eu, a chuva e o vento, teu pensamento que é sempre nós.
Teu verbo me umedeci, parece prece essa canção, a canção que fizestes dos meus cabelos negros, falando que é pra sempre esse amor.
A lâmina de todo dia não nos mete medo, não escondemos nenhum segredo.
Nascem flores de nossas mãos, sílabas fortes desenhadas, estrelas acordadas na imensidão.
Sei que o futuro é indecifrável, espero que seja um bom tempo carregado em todos os cantos de você... De você em mim.

Meu amor, todos os dias enfrentamos as lâminas do mundo sem nenhum corte!
Amo você, pra sempre

Janaina Cruz

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O mulato


Amo a tua mulatês convidativa e, a disposição dos teus pelos macios, cheios de noite. Teus olhos, duas obras primas que desdormem a beleza do dia, duas águias conversando sobre teologia com Deus, admiráveis águias negras que me capturam e fazem de mim o que quiserem.

Carnudos e polêmicos lábios teus, asas onde voam meus desejos mais irracionais, neles é que verdadeiramente mato a minha sede, possuem um vinho feito para os deuses.

Língua em hélice meu mito fundamental, frisson diurno e noturno, feito pinceis de Brodovski a criar no céu de minha boca. Teus temperos e feitiços...

Ai, o teu peito debruçado sob um forte tórax, ágil e musculoso, meu travesseiro de devoções , tabuleiro perfeito para criações de inimagináveis poesias...

Quando nossos corpos estão despido, colados, a sensatez nos assiste de binóculos, há uma necessidade instintiva a nos deduzir escandalosos. E depois, no teu peito deitando harmonicamente a minha cabeça, hospedas-me em tua paz, acaricia o meus cabelos, enquanto divido contigo a minha poesia e minha religião.

Tua dança não me cansa e, sei que até te assusto, quando depois de tudo as minhas mãos tão curiosas ainda insistem em perder-se nas principais alamedas do teu corpo, corpo tão bem construído por Deus... Minhas mãos quase repousam inquietas e clandestinas no lugar que rapidamente está hirto. Não há demora, te esperneias, teu corpo latente reclama o teu.

E nos misturamos, a minha luz de leite e a tua mulatês de Esfinge que devora...

Em horas sãs

Horas e horas sãs...

Inserido sem freios em meu ventre, fazendo-me vislumbrar estrelas esferoides que passeiam anonimamente em meu prazer, teu prazer, em meus prazeres, em teus prazeres...

Explodimos fascinado pela perturbação interna, unindo nossas composições naturais, na vibração de um milagre, na tapeçaria de felicidade simples e concreta.

Janaina Cruz

Nossa canção:




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terça-feira, 22 de novembro de 2011

As coisas quando somem

São engraçadas todas coisas quando somem

Um certo par de brinco que deixou o outro sozinho

O desconhecido que sorria sem ter nome

Aquela blusa branca e rosa de lacinho

Um disco antigo de vinil empoeirado

Um massageador que nunca usava importado

O documentário sobre o lixão do Marcos Prado

Um celular desmantelado, um caderninho enfeitado

As margaridas do jardim da minha tia

Aquele beijo que em sonho me pedias

O nervosismo, o manifesto a agonia...

A lembrança me sorria e, sorrir assim me entristecia...

Janaina Cruz


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