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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A donzela e o diabo



Essa história sucedeu lá pros lados da Bahia.
Terra do carnaval, Dorival, da pimenta e dalegria. 
Numa certa ocasião o diabo aparecia. 
Flertando com toda gente, enganava e sumia. 
Misturava muita coisa religião e sodomia. 

O diabo era ardiloso conquistava com presentes. 
E por dentro era feioso, rancoroso, impertinente. 
Puxava uma nota de cem deixa a muitos contente. 
Fingia ser gente de bem, passava até por crente. 
Depois de escolher a vítima afiava logo os dentes. 
Sugava tudo o que tinha deixava a dependente. 

Disfarçava-se de elegante, usava máscara de formoso.
Sem disfarce era magrela, barrigudo e invejoso. 
Até parecia sensato, inteligente, respeitoso. 
Dá bíblia sabia tudo, de traz pra frente o engenhoso. 
Mas Deus não lhe dava bola, oh! Troço ruim e mentiroso... 
Em alguns dias da semana ia pra culto religioso. 

Desencaminha mulher casada a população denuncia. 
Homem, menina, velhinha a vizinha até se agonia. 
Inventava muita rima, prosa e até poesia. 
Tacavalhe maquiagem pra tentar uma melhoria. 
Usava os seus poderes, seus olhos eram seus guias. 
Pegava o que surgisse pra provar sua teoria. 

Na peleja do diabo abriu-se um buraco no chão. 
Caiu nele uma donzela de cultura e educação. 
O bicho abriu as asas parecia um pavão. 
Fingiu que era amor, coisas do coração. 
Levou ela no bico, jogou a na escuridão. 
Valei-me meu padim padre Cícero, nossa senhora da Conceição. 

Com um terço na mão implorava a bixinha. 
Nossa senhora me defenda minha mãe, minha madrinha. 
Me traga um pouco de luz, alguma ideia, uma coisinha. 
Que me faça sair dessa, nem que seja de noitinha. 
Faço tudo o que quiseres, serei pra sempre boazinha. 
Cai nessa sem querer, foi coisa de relance. 
Fui dar bolas para o cão, e logo entrei entranse. 
Cai no conto do maldito, preciso de uma chance. 
Sei que tem uma saída e que está ao meu alcance. 
Pra enganar o descarnado penso em algum lance. 
Aviso que sei dançar e peço que ele dance. 

Quando o sete caras for dançar empurro o na água benta. 
Tomara que quebre a cara e tudo que lhe sustenta. 
Amarro-lhe uma cruz quero ver se ele aguenta. 
Camaleão mascarado vamos ver o que inventa. 
Depois de cair a máscara tua maldade aumenta. 
Cresce também a idade pra mais de cento e cinquenta. 
O bicho é feio mesmo pior do que aparenta. 

Depois que o bicho morreu foi só felicidade. 
A donzela o venceu com sua serenidade. 
Encontrou o seu moreno homem de virilidade. 
Beijou suas mãos e lábios com tanta docilidade. 
Agora a coisa é outra, uma nova realidade.

Janaina Cruz

11 comentários:

  1. Ola Janaina!

    Que bonitas palavras.
    Que poema tao bem escrito.
    Gostei imenso, por isso, é que eu gosto de passar po ca.

    Um bjnho

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  2. isso é literatura de cordel menina


    A donzela o venceu com sua serenidade.
    Encontrou o seu moreno homem de virilidade.
    Beijou suas mãos e lábios com tanta docilidade


    nao tenho talento nenhum para rimas e é incrivel q amo musica e nao tenho essa musicalidade das rimas nos poemas como vc consegiu

    bjus!!!

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  3. Querida amiga,

    Quando as coisas vão erradas e o momento é de crise, não pense que todos os seus esforços têm sido em vão, segue.
    Talvez tudo tenha sido para melhor. Sorria... E experimente outra vez! Pode ser que o seu aparente esforço venha a ser a porta mágica que o conduzirá para uma nova felicidade, que você jamais conheceu. Você pode estar enfraquecido pela luta, mas não se considere vencido. Isso não quer dizer derrota. Não vale a pena gastar seu precioso tempo em lágrimas e lamentos.
    Levante-se!
    E enfrente a vida outra vez. E, se você guardar em mente a alto objetivo de suas aspirações, os seus sonhos se realizarão. Tire proveito dos seus erros. Colha experiências das suas dores. E, então, um dia você dirá:
    “... GRAÇAS A DEUS EU OUSEI EXPERIMENTAR OUTRA VEZ,
    E REENCONTREI A PAZ, O AMOR E A FELICIDADE..."

    Que a paz de Deus permaneça no seu coração renovando suas forças e esperanças a cada dia!

    http://www.youtube.com/watch?v=rRw715y39hU

    Um abraço carinhoso da equipe do Yehi Or

    http://hajalluz.blogspot.com/

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  4. de fato liene
    Quando as coisas vão erradas e o momento é de crise, os esforços de sair desa crise, não são em vão, quando deixamos Deus nos direcionar.
    esse cordel diz um pouco sobre uma historia de alguém que sofreu muito por causa de um crápula, mas hoje, graça a Deus ela esta feliz.
    pena que o crápula se sinta infeliz vendo a feliz.

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  5. Ao escolhermos o perdão, renunciamos ao passado para curar o presente.
    O perdão gera maior paz e esperança. Fred Luskin

    o perdão é é um dom divino, sem perdão não a perdão de Deus. mas em momento algum disse Deus, que perdoar é continuar a sofrer, pelo contrario o perdão liberta, e não aprisiona.
    e outra se o perdoado não buscar o perdão, o perdoador não tem motivos para sentir-se mal, pois a sua parte o fez.
    reconciliamento as vezes não é perdoar, e sim continuar aprisionado,
    principalmente nesse caso.

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  6. Somos assim os diabinhos =)

    Belo poema

    Beijos

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  7. Adorei a postagem. Um conto bem escrito e que nos remete à reflexão.

    Meus parabéns e um excelente final de semana.

    Ps.: Não esqueci dos seus livros, minha amiga, estava viajando e cheguei hoje. Vou enviá-los. Abraço.

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  8. Tudo na vida é aprendizado, beijo Lisette.

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  9. Jana
    eu lí alguns e escolhi este especialmente pelo tema.
    Muito bem escrito, muito gostoso de ler.
    Gostei muito.

    Vinícius

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