terça-feira, 16 de abril de 2013

Dilatação o meu novo livro



Caleidoscópio de cores que riem ao misturar-se, doces dentes, afiados dentes que despem lenta e profundamente a carne.
Subliminar astrologia apontando dias bons entre os recados gravados e os quadros abismais esquadrinhando o novo voou.
A utopia criou e matou os dragões que a poesia despertou, talhando-os a cegas navalhas, plangiam sois miúdos, plangiam chuvas nos ciprestes.
Enquanto eu preferia estar ali, ao lado da folha rabiscada, interrogada, alimentando ajustes e desajustes.
Eu a menina de mãos de vidro imune ao aprisionamento dos labirintos, porque, perder-se em labirintos é a coisa que mais gosto.

Janaina Cruz

Dilatação  é o meu segundo livro de poesias, a mistura de todas as poesias de vida gestando querendo dar a luz a dias mais belos.


 Á vendo no site:



Peço perdão aos amigos por tanta ausência, logo, logo estarei visitando todos vocês.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Olhar de menina



O silêncio enciumando as palavras
Revirando as coisas, pondo tudo pelo avesso

Interrogações

Interpretações

Desmedidas...

Um olho no gato outro olho na vida...
Os garotos fazem riscos no muro
Há putas e freiras na esquina
Umas querendo a fé, outras querendo a sina...
O medo recriando abismos, mistérios e rotinas.

A página deu vida ao fogo
O abandono precisou de morfina.

E o silêncio por lá, fazendo festa no olhar da menina.

Janaina Cruz


domingo, 3 de março de 2013

Era pra ser diferente



Carregava uma canção azul cheia de vida
Falseando um ou outro tropeço
Mas esse era o mundo só seu
Onde suas vontades vibravam sem correr riscos
Tentou ser como os outros
Tentou
Tentou
Tentou
Mas a vida lhe desmentia,
Escorria-lhe como água das mãos
Descontinuado e mastigado sentia-se
A cada frialdade que percebia a cada não.
A cada paixão corrompida, a desilusão.

Janaina Cruz
                                 



Ouçam a belíssima canção feita por meu querido amigo Virbel Proença Junior [https://www.facebook.com/virbel.proencajunior] e sua banda [Olho Quadrado], falando sobre aceitar as diferenças, quando todos tomarem essa consciência, o mundo será um lugar muito mais agradável.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Flores de morte



Indócil sentir circundando pela pele, através dos
Sentidos quase esquecidos de tão extasiados
A sensação de ardo lembrava-lhe
Toneladas de vida entregues pelo compasso dos móveis
Pelo preço das roupas esquecidas dentro do armário,
E os sapatos que nunca lhe serviam...

Havia a incomensurável vontade de pular pela janela
De sentir a solidez do chão onde passavam tantos rostos frios e desconhecidos.

Tangia aquela sensação de filme hollywoodiano
Mas estava triste, triste e excitado.
O tempo lhe consumia veementemente.
Aquelas curvas, curvas perigosamente femininas,
As pontas dos dedos nos seios pálidos, cálidos,
A ponta do dedo no sexo entumecido.

O álcool já não lhe supria as necessidades
Nem a imaginação
O olfato, o paladar a audição...

Pertenciam a ela.
Era dela aquele coração
Aquelas roupas no armário
Os sapatos que não lhe cabiam
O amor que emanava da posição dos móveis

Da posição do corpo na hora de amar
Na hora de deitar.
Na hora de sentir solidão...

Em seu lugar ficaram o ópio, as putas, as contas para pagar.

Em seu lugar nasceram flores,
E elas cheiravam a morte.

Janaina Cruz

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Madrugadas





O meu átrio direito é permeado pela poesia romântica e a parnasiana,

Só demônios podem nos confundir assim,

 Estendendo-nos fio a fio a tudo que nos encerra e nos começa.

Quem dera o coração tivesse asas ou pelo menos dois átrios esquerdos a mais,

Quem sabe não viveríamos flutuando,

Acima dessa urbanidade que nos consome e nos intriga?

A brisa matinal me inspira, não tanto quanto as madrugas, nem tanto quanto os demônios...

No ventre existe a gula de parir poemas, aberrações literárias que nascem aprazíveis,

Anunciando o que pulsa entre as pernas...

Até que o dia vire noite novamente.

Janaina Cruz

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

ALICE NO PAÍS DA AGONIA



Exilado o coração no peito só respira saudades, saudades acompanhando o cortejo das horas
A cidade leva a nossa saudade, no turbilhão caótico e mesquinho, no correr de nossos passos,
Sempre apresados e atrasados para tudo.
É preciso trabalhar, é preciso estudar, é preciso comprar a feira...
O espelho a confundir a minha imagem sorri o sorriso de outro alguém, digo bom dia para as pessoas que encontro pelas ruas e elas me respondem frases entre aspas.
O relógio de pulso quer que eu corra contra o tempo, mas as esquinas são todas tortas, o calibre do coração não combina com o asfalto molhado, há fome de vida, há mágoas quase esquecidas, há espasmos e esse hiato ancorado na cabeça.
Sou eu Alice no país da agonia, falando pelo coelho:
- É tarde, muito tarde, muito tardes, tarde, tarde, tarde.

JANAINA CRUZ

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O CARROCEL DE FOGO DAS PALAVRAS




Impalpáveis falou-me o silêncio
Sobre as palavras que eu não poderia mais tocar.
E eu que não sei calar, plantei um grão de poesia,
Esmiucei os segredos, os gestos, a sabedoria...
Ateei fogo à estética de tuas frases,
Chorei sozinha...
Tão só...
Sozinha
Sozinha
Dobrei-me as tardes, as noites, ao nascer do dia.
Conduzi a minha nau
Minha quilha cortante como punhal
Agora fulgem as palavras
Todas elas: Inúteis e sossegadas
Gritam enquanto emudeço languida e quase inerte.
Mas a vida pulsa também nas mãos, mesmo que estejam cansadas e calejadas.
Pulsa nas linhas do sonho e do entusiasmo
Eu, eu sei de mim e do que me faz tremer ou fenecer
Conheço os desejos pródigos
Que me fazem condenar as tuas conversas hereges a inquisição:
A alquimia de renascer na vida que havia me esquecido de viver...
[...] Em paz.

Janaina Cruz
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