segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Entrou por minhas manhãs
Fez o sol nascer como um coração
Deus-me beijos de romã
Saiu pelas tardes sem razão.

Janaina Cruz

sexta-feira, 15 de outubro de 2010


Embarguei a minha voz

E apesar do meu silêncio

Eu ainda penso em nós!

Janaina Cruz


quinta-feira, 14 de outubro de 2010


Há varias manhãs nasce um sol repulsivo

A vivando à claridade angustias e dores

Devo estar no inferno, exercitando a minha paciência

E a incurável demência que anseio sabores

O dia logo deforma, não há mais nada na consciência

Minha’alma se fecha, e tudo esquenta

A mutilação o suplício

O suicídio não é o fim, é apenas o início


Janaina Cruz


quarta-feira, 13 de outubro de 2010




Ah, esses pés

Que já fizeram pontes sobre abruptas horas

Já seguiram caminhos errantes, simétricos e incongruentes.

Meus pés buscaram as luzes da filosofia

Buscaram roxinóis em cantos de exibição

Agora contemplam a água do rio, sua velocidade, seu bramido

Libertam-se...


Janaina Cruz

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Hei de voltar

Hei de voltar pra minha infância bonita
Pra brincar de felicidade
Sonhar como se fosse cinema
Amar a todos de verdade
Repetir algumas manhãs, com sol nascendo pelas janelas
Ter uma porção de porquês, descobrir as respostas mais belas
Ter medo de escuro e do bicho papão
Um sorrisinho ressabiado
Buscar alguma proteção
Pedir que fiques ao meu lado
Te imaginar como príncipe encantado
Amar sem confundir a paixão
Ser rica de aventuras
Comer mil gostosuras, sem se preocupar com o peso
Não esconder nenhum segredo
Só coisas pra aliviar
Meus tesouros serão meus brinquedos
Nada mais desejo que não seja:
Brincar…
Brincar…
Brincar...

Janaina Cruz

sábado, 9 de outubro de 2010


Dor

A dor flagrou o meu sorriso

Sem querer, num momento preciso

Distraída… Ela tomou posse de mim

Pediu-me um cigarro

E na iminência de perder-me completamente, eu dei.

Olhou me com escárnio, perguntou-me as horas

E me roubou um beijo.


Janaina Cruz

Solidão

A solidão entrou em mim, como um vírus mortal

Abateu-me como seu personagem principal

Todos os dias ela tece a minha desconstrução a minha desumanidade

Decomponho-me como ferrugem sob o aço, sem negociar a minha redenção

Na manhã opaca e lúcida do dia fumega um frágil sol circunscrito de isolação.

Pouco a pouco esqueço-me de quem sou, o silêncio me faz companhia, e a tentação

Não me leva a nada, não me seduz, não me conduz…

Se me fosse dado a escolher, eu voaria.

Eis tudo


Janaina Cruz

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