quinta-feira, 17 de março de 2011



Matusalém

Hoje sou Matusalém, deitado nas costas das sombras
Onde vi nascer anos cruéis e anos bons que foram bem vividos.
Talhei a vida a unhas
Fui a voz no deserto dos tempos esquecidos.
Com a eternidade ganha-se a inocência,
E a influência dos distorcidos.
As certezas não são importantes, nem são nossas propriedades.
Não detemos o poder, nem somos donos da verdade.
Vi Maria semear uma campo quase infinito de amores perfeitos, e colher em suas manhãs flores frias de solidões.
Feriu-se a pobre Maria entre as trepadeiras o o caramanchões.
Vi a Meduza adormecer em sua cabeça, as velhas serpentes.
Vi quando as mastigou e as prendeu entre os dentes.
Segui os antigos relógios nas paredes, armei as minhas redes
Eternizei-me em abraços, ganhei meus espaços, e agora os solto no ar…
Não há novidades no voar…
Fundi meu espírito com o espírito do tempo
No meio do pensamento
Sou como um pobre poeta, de alma aberta
Que ainda busca
Mas sou pobre, sem sal ou açúcar...

Janaina Cruz

*Pessoal, perdoem-me pela ausência, o tempo se fez pequenino na minha atualidade, mas logo estarei visitando a todos vocês*

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011


A procura da noite

Jana! Procurei-te e não te encontrei...
levantei-me durante a noite;
e fui pela cidade, ruas e praças:
procurando por ti minha eterna flor.

Procurei-te? mas não te encontrei...
apenas vi os guardas de ronda à cidade;
perguntei-lhes? viram a minha eterna flor!
e eles responderam! Por aqui não passou ninguém.

Mas eu continuei procurando...
e te encontrei minha eterna flor;
agarrei-te e não te soltei:
quero lervar-te a casa da tua mãe.

Ao quarto daquela que te trouxe no seu ventre...
Oh! Jana minha eterna flor;
Para sempre te guardarei:
No meu doce e eterno Jardim.

Autor: Santa Cruz

(
http://silenciodosmeussonhos.blogspot.com/ )

Ganhei essa poesia de um poeta Mgomes que encanta com palavras perfeitas e carinhosas quem o visita.
Obrigada meu amigo, eu amei a poesia que fizestes pra mim.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011




Conto de uma noite cega

Olhou para o espelho tragando com olhos ávidos todos os novos detalhes

Sozinha em casa poderia perceber as coisas agigantarem-se: Solidões, saudades, os sonhos que jamais seriam realizados…

Imaginou todos eles como porcelanas e atirou-os pela janela aberta.

Lá embaixo, um mágico devorador de migalhas come-os um a um, como num gole

Em seguida berrou todas as angústias alheias e indigestas, então caiu encantado procurando consolo nos braços da noite.


Janaina Cruz



terça-feira, 11 de janeiro de 2011







Retrovisor

Para entender o que passou
Eu preciso de retrovisores
Preciso deformar o caminho para poder entende-lo
Ver detalhes pelo avesso
O amargo do fruto doce
Coisas grandes tornando-se pequenas...
Com olhos crus inverter os riscos
Os rabiscos que o riscos me trouxeram
Enxergar o que agora pareça-me invisível.
Para trás fica a poeira
Ficam cheiros e vertigens
E um pouco de mim
Um corpo inclinado à procura de não sei quê
O céu agora está aberto
Parece que não vai chover
Mas para onde mesmo estou olhando?

Janaina Cruz

( Leia o poema de baixo para cima também...)

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*Gente, ganhei uma caricatura do artista plástico Eduardo Lunardelli*


Está linda de mais não está? rs
Toda quinta feira ele faz uma nova vítima, cuidado!!!








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*Estarei ausente por uns dias, mas logo volto para visitar a todos , Abraços e que Deus esteja com todos vocês.*


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

(Clique para ampliar a tirinha)



“Notas soltas de um diário sem apêndice”


(Presente)


Silêncio! Ouça o novo chegando de vagar e de mansinho

Mastigando as vísceras de um passado ainda fresco

Cinzas e lembranças submersas, escombros...

É mais um janeiro chegando, carregado de portas e caminhos

O presente está a beira de nós, nitidamente distraído.

O tempo é um pescador paciente e nós somos peixinhos

A espera de sermos fisgados…


(Passado)


Do meu sonho fiz teoria

Escrevi como se fosse poesia

Se vinha a saudade sentia agonia

Fui como uma frágil flor em tempos de ventania

Arrebentei meu condão, caí na ramaria

Que ironia, minhas mãos estavam vazias

Sofria de miopia a razão por onde olhavas.


(Futuro)


O futuro é uma roupa nova que ainda não cabe em nós

Linhas, curvas perigosas

Rio e foz

Morfina, insulina

Van Gogh

E suas minas

Almodóvar, seu umbigo em meus lençóis


Janaina Cruz


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010




Iluminação

Talvez eu goste dos meus defeitos

Eu sei que sou assim

Convivo bem com meus efeitos

Há momentos madeira e eu cupim


Tem horas que gritar não é suficiente

Chorar não é inteligente

Tem horas que não basta ser gente

Temos que ser coerentes, rentes, atraentes decentes….


Tentar ser o que todo mundo é

Não é meio idiota?

Por a ponta do pé

Onde todo mundo bota?


Acho que quero mais iluminação

Quero ser eu mesma

Sem ter que dar satisfação

Sem ser uma lesma


Sem discriminação!


Alguns enlouquecem

Outros são sarcásticos

Alguns esquecem-se

Outros lunáticos


E eu quero o gosto que a vida tem

Quero coisas que sejam do bem

Quero errar e acertar, sem dever nada a ninguém…


Janaina Cruz


(Que o ano que está chegando aí, nos traga alegrias, respostas , harmonia e muita paz)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Feliz natal?


Como desejar feliz natal
Pra aquele menino de flanco magro
Que põem a mão em concha na tentativa frustrada
De segurar o lusco-fusco das luzesinhas coloridas?
A falta de cores está plantada de forma inescrutável na palma de sua mão.
O que não daria por um pedaço de pão?
Alguma migalha que reacendesse seu sorriso belicoso...
Mas o sorriso esmaeceu, sua paz está ausente,
Sons natalinos tocando ao longe, e muitos silêncios borboleteando a sua volta.
Imagina segurar nas mãos uma tigela invisível, cheia de tudo o que ele acha gostoso.
Finca seus dedinhos pequenos, levando a comida invisível a boca,
Lambuza-se de coisa nenhuma, sujando seu rosto e suas mãos.
A vida é mesmo um faz de conta, imagina ele.
Enquanto ronca o estômago, reclamando a fome não saciada,
Em seu ouvido, as vozes de alguém que ele já esquecera o nome.
Deita-se na calçada e adormece alvejado pelas sombras lunares.

Janaina Cruz

(Que algum dia possa não mais existir natais como esses, e que todos os dias sejam como é o natal, que presentes possam ser dados sem a desculpa de datas, que abraços sejam dados sem que seja para impressionar ninguém, e que todas as famílias encontre sempre bons motivos para desfrutarem juntas de qualquer momento)

(Criadora e criatura)

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