quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A moça do sonho


O cheiro do esmalte espalhou-se pelo dia nublado.
Apertou três parafusos antes de sair,
Pressentiu com fragilidade
O inefável.
Era cria da lua,
Tez pálida quase transparente
Onde via-se cruzar veios azuis de superfície.
Olhar displicente,
Quase sempre distante...
Naquele corpo tudo era hipnótico e sedutor.
Nas solidões inventadas,
Invertidas
Corria atrás de um tempo
Atemporal...
Tocava o vestido, achando-o justo de mais,
Acendia os lábios com mais cor.
Tão intensa!
Tão intacta!
O mundo existe por causa dela!


Janaina Cruz

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Bendito



Naquele lugar estava amalgamada sua alma.
O chão rachado sem nenhuma flor,
Só espinhos agudos embalando a rudeza
De um verão infindável.
Os pássaros partiram
Mas ele estava lá,
Cutias e preás,
Mas ele continuava por lá,
Os anjos sumiram,
E ele sempre lá,
Preso aquele chão sem folhas,
Sem vida, avizinhado ao sol que quase nunca se põem.
E põe a vela entre os santos
E põem o rosário entre as mãos
E põem a vida a espera de algo novo...
Algum vento surdo que mova os lençóis que torram nos varais,
Que lhe traga os gritos de crianças brincando ao longe,
E aquele perfume que nunca mais lhe saiu da cabeça.

Janaina Cruz

terça-feira, 24 de junho de 2014

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Parceria poesia e ilustração.

Criação de Jorge Luis Cardoso Pereira

Facebook: https://www.facebook.com/JorgeLuisCardosoPereira?fref=photo

quinta-feira, 24 de abril de 2014


Sinopse:

À procura de curvas que resolvam soluções, curvas trêmulas, curvas nervosas, curvas raras. Estradas de vias sacras, hipérboles fervilhantes, os meus pés rasgam a fragilidade desse chão, o corpo ensaia a fuga, vida e morte circunvolvendo as curvas, as curvas do corpo, as curvas da estrada... Peregrinações poéticas.

O meu sexto livro: A próxima curva é o retrato poético de minha alma em vários momentos, o livro contem 119 poesias, foi publicado pelo Clube de Autores.

À venda no site.

Os demais livros:

                     1º livro: Mais dia menos dia                       

 2º livro: Dilatação.

 3º livro: Heliotropia. 

4º livro: A moça do sonho

 5º livro: Tóxica.

domingo, 20 de abril de 2014

Incompletudes


Despeço-me do bando, ando pelas madrugadas desfiguradas, com fome e só.
Eu e a cidade permanecemos em silêncio...
Cães de rua festejam a minha presença e mesmo assim, sinto-me só.
Agora chove, gotas entrelaçam-se no vento, em meu olhar há um mar.
Jardins tornam-se úteros lascivos, para onde pretendo voltar, sempre volto.
Deito-me na grama molhada, acompanham-me as pedras e o silêncio.
Estou triste!
Muito triste!
Palavras sangram em minha mente, sangram as flores ao meu redor...
Em meu monólogo descobri novidades, contei –me tudo sobre nós...
Contei para os velhos passarinhos da praça, velhos sábios!
Basta-me agora umas lascas de pão e nomes de flores diversas que cismo de inventar.


Janaina Cruz

segunda-feira, 10 de março de 2014

Musas sanguinárias



Musas sanguinárias
Vesículas venenosas
Fugidias noites em que as vemos dançar...
Gleba profana desafiando mistérios e delírios
Elas cantam canções de ninar e embalam as suas bonecas.
Ventos vadios sopram-lhes os véus
Desmascarando suas faces noturnas.
Estrelas transgridem da noite para o dia
Raiando em torácica violetas e carmesim.
Incomodas nuvens afetam a atmosfera
Vingando-se da noite, dobrando-se a volúpia
De um pássaro marinho
E se não estou enganada ouvi o cantar
A lúcida liturgia do mistério
Dor e neblina em densidades mórbidas.

Janaina Cruz

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Vermes


Sou o verme, vivo acoplado a tua pele dita humana, sou o parasita que perfura os teus ossos e te faz sentir dores indizíveis, alimento-me de tua angústia e escravizo-te paulatinamente...
Disfarço-me quando for preciso, preciosa natureza humana, diferente dos livros e dos ratos, tem o gosto balsâmico, o cheiro de pecados...
Tenho plena liberdade no ócio das tumbas, adormeço entre as carnes pútridas e os sonhos desolados, conheço as palavras, eu as fiz nascer em tua boca nas horas precisas, precisa carne natureza humana...
Depois da queda o contra mão, a válvula de escape, o orgasmo.
Sou o verme, estou em teus braços, em teus traços, copulando com outros vermes, obstruindo as tuas veias, no meio de tuas rugas, sou o verme que sugou a tua juventude, contigo assisti a primeira e a ultima chuva e o golpe de fez desvanecer as pequenas margaridas...
Agonia, agonia em plenitude, inconsciência Freudiana, não creio que somos a condenação humana, paradoxalmente somos o início de tudo.


Janaina Cruz

Poema recitado por Mauricio Andrade:

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