Despeço-me do bando, ando pelas madrugadas desfiguradas, com
fome e só.
Eu e a cidade permanecemos em silêncio...
Cães de rua festejam a minha presença e mesmo assim,
sinto-me só.
Agora chove, gotas entrelaçam-se no vento, em meu olhar há
um mar.
Jardins tornam-se úteros lascivos, para onde pretendo voltar,
sempre volto.
Deito-me na grama molhada, acompanham-me as pedras e o
silêncio.
Estou triste!
Muito triste!
Palavras sangram em minha mente, sangram as flores ao meu
redor...
Em meu monólogo descobri novidades, contei –me tudo sobre
nós...
Contei para os velhos passarinhos da praça, velhos sábios!
Basta-me agora umas lascas de pão e nomes de flores diversas
que cismo de inventar.
Janaina Cruz