terça-feira, 24 de junho de 2014

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Parceria poesia e ilustração.

Criação de Jorge Luis Cardoso Pereira

Facebook: https://www.facebook.com/JorgeLuisCardosoPereira?fref=photo

quinta-feira, 24 de abril de 2014


Sinopse:

À procura de curvas que resolvam soluções, curvas trêmulas, curvas nervosas, curvas raras. Estradas de vias sacras, hipérboles fervilhantes, os meus pés rasgam a fragilidade desse chão, o corpo ensaia a fuga, vida e morte circunvolvendo as curvas, as curvas do corpo, as curvas da estrada... Peregrinações poéticas.

O meu sexto livro: A próxima curva é o retrato poético de minha alma em vários momentos, o livro contem 119 poesias, foi publicado pelo Clube de Autores.

À venda no site.

Os demais livros:

                     1º livro: Mais dia menos dia                       

 2º livro: Dilatação.

 3º livro: Heliotropia. 

4º livro: A moça do sonho

 5º livro: Tóxica.

domingo, 20 de abril de 2014

Incompletudes


Despeço-me do bando, ando pelas madrugadas desfiguradas, com fome e só.
Eu e a cidade permanecemos em silêncio...
Cães de rua festejam a minha presença e mesmo assim, sinto-me só.
Agora chove, gotas entrelaçam-se no vento, em meu olhar há um mar.
Jardins tornam-se úteros lascivos, para onde pretendo voltar, sempre volto.
Deito-me na grama molhada, acompanham-me as pedras e o silêncio.
Estou triste!
Muito triste!
Palavras sangram em minha mente, sangram as flores ao meu redor...
Em meu monólogo descobri novidades, contei –me tudo sobre nós...
Contei para os velhos passarinhos da praça, velhos sábios!
Basta-me agora umas lascas de pão e nomes de flores diversas que cismo de inventar.


Janaina Cruz

segunda-feira, 10 de março de 2014

Musas sanguinárias



Musas sanguinárias
Vesículas venenosas
Fugidias noites em que as vemos dançar...
Gleba profana desafiando mistérios e delírios
Elas cantam canções de ninar e embalam as suas bonecas.
Ventos vadios sopram-lhes os véus
Desmascarando suas faces noturnas.
Estrelas transgridem da noite para o dia
Raiando em torácica violetas e carmesim.
Incomodas nuvens afetam a atmosfera
Vingando-se da noite, dobrando-se a volúpia
De um pássaro marinho
E se não estou enganada ouvi o cantar
A lúcida liturgia do mistério
Dor e neblina em densidades mórbidas.

Janaina Cruz

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Vermes


Sou o verme, vivo acoplado a tua pele dita humana, sou o parasita que perfura os teus ossos e te faz sentir dores indizíveis, alimento-me de tua angústia e escravizo-te paulatinamente...
Disfarço-me quando for preciso, preciosa natureza humana, diferente dos livros e dos ratos, tem o gosto balsâmico, o cheiro de pecados...
Tenho plena liberdade no ócio das tumbas, adormeço entre as carnes pútridas e os sonhos desolados, conheço as palavras, eu as fiz nascer em tua boca nas horas precisas, precisa carne natureza humana...
Depois da queda o contra mão, a válvula de escape, o orgasmo.
Sou o verme, estou em teus braços, em teus traços, copulando com outros vermes, obstruindo as tuas veias, no meio de tuas rugas, sou o verme que sugou a tua juventude, contigo assisti a primeira e a ultima chuva e o golpe de fez desvanecer as pequenas margaridas...
Agonia, agonia em plenitude, inconsciência Freudiana, não creio que somos a condenação humana, paradoxalmente somos o início de tudo.


Janaina Cruz

Poema recitado por Mauricio Andrade:

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Tóxica


A dama vermelha em distúrbios plasmáticos, estendendo a mão, pedindo auxilio, fazendo mímicas no meu divã.
Diva danosa, bem articulada, projetando-se em mim.
Desejo o corpo da divina fábula, a ires dramática de luz.
Sugo o suor dos seus poros, o gozo do seu sexo, lambo-lhe os pés, mesmo sujos de lama...
Estamos no inferno você insiste em lembrar, enquanto rasgo as películas desse dia normal, preciso sobreviver, mas já não adianta nada, rogaram eternidades sobre nós, reajo a minha ereção tetânica te vejo garbosa sobrevivendo em silêncio.
Sacrifico-te, ofereço teu sangue a um demônio qualquer ele entende as minhas urgências, e sabe que estamos perdidos, irremediavelmente perdidos.
As lâminas acostumaram-se a epiderme que já não sabe sangrar, restam os arranhões que logo saram, somo covardes estamos tingindo nossos cortes com urucum, costurando-nos com ligas metálicas.
As horas nos massacram, o aneurisma avisa que vai explodir, mas no exato instante em que estou entre as tuas coxas, escondendo-me, escondendo-me de tudo.
São dez mil anos dentro de ti, roendo teu azar com um rato, roendo teus cabelos, teus seios, enquanto você goza...
Na mesa do jantar você goza, você goza dama vermelha, segura e afrouxa a minha teia, ofegante digo: Droga, mas não consigo para, eu não consigo parar!!!

Janaina Cruz

sábado, 3 de agosto de 2013

Violinos que choram




A música dos violinos acalmava a alma dilacerada,
Havia uma pá de destroços amontoados no Eu
O filho morto no centro da sala, um cubículo cheio de vazios...
Os olhos vermelhos e estranhos procuravam mirar o nada,
Qualquer gesto seria esforço inútil.
A música disfarçava os rituais de sepultamento e a dor que lhe pintava a cara.
Às vezes o silêncio apetece ser quebrado e os limites das mãos alongam-se muito mais que os abraços, muitos mais que a despedida de filhos mortos...
O caixão estreitava ainda mais a sala, as cabeças se atreviam mirar pelos cantos da porta escancarada, a luz do dia apresentava-se sonolenta, luminescência quebrada por violinos que choram.


Janaina Cruz
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