sexta-feira, 25 de maio de 2012

A despedida



Nem luz, nem trevas
Era como se naquele dia o sol tivesse saído mais cedo  do que de costume, atraído pelo cheiro do bolo de cenouras feito numa casa simples e quase solitária.
Os amantes revolviam-se nos lençóis, ainda era cedo para a despedida, o relógio parecia conspirar contra aquela felicidade.
[É hora de partir!] disse ela beijando o rosto que amou na tão esperada noite,[ alguém te espera para o café da manhã, outro alguém te espera para dar beijos na testa e ser conduzido para a escola.]
As lâminas do amor  sempre aparecem, retalhando sonhos, não importa qual seja o tamanho desse sonho.
A vida tinha que seguir o seu percurso, a realidade era auto-sugestionável.
Despedir-se –iam  naquela manhã rubra, a carne ainda quente, o gosto do outro na ponta da língua, no coração  um medo estranho, a imagem daquele abrigo, distanciando-se...

Jana Cruz

terça-feira, 22 de maio de 2012

Borboletas nos olhos




O vazio da voz, cataclismo memoriais, no perfume de rosas envelhecidas dentro dos livros, herança de amores mal vividos, Hoje, rasguei os casulos criei borboletas nos olhos. Jana Cruz

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Deixa-me



Deixa-me ser tua bússola
Teu astro incandescente
Sou voraz
Sou contente
Querendo livrar-te de abraçar o vazio.
Deixa-me ser o teu mar
Banhar tua nudez
Te fazer delirar
Até onde não mais caber o tempo

Jana Cruz

sábado, 19 de maio de 2012

Em mim só existe você


Desenho encontrado no blog: http://blogdonerino.blogspot.com.br/

Sílabas dos meus dias:
Você!
Empírico dicionário de respostas pra tudo,
Não te amo simplesmente...
Eu te amo
te amo
te amo
Talvez tenha eu a ilusão
De que ignoras o bem que me fazes.
Túmido sol dos meus dias
A pausa sísmica das minhas dores
Já estais em mim, é claro que estais!
"Preso ao meu corpo como tatuagem".
Ser mitológico e romântico
Quero para sempre dedilhar tuas formas
Traduzir-te em aramaico, em quanto sorvo
Os teus beijos, que são doces como o sumo das frutas...
Tua pele, meu pólen de fogo, desenhando em minha carne,
Deitado em meu corpo
Carregando-me de sonhos possíveis e insones
Carregando-me de ti

Jana Cruz

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Dias tristes


Ando te esculpindo em minha tristeza, o tempo dança em meus dias como vestidos viúvos no varal.

Jana Cruz


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Doce pecado



Doce pecado  
                             E
                                   S
                                       C
                                                o
                                                     R
                                                         R
                                                                 E
                                                                          N
                                                                                     D
                                                                                          O
 Livre pela boca da noite...
Desejo, medo, envolvimento
Estrelas inóspitas, caleidoscópios excitantes.
Teu corpo quente, macio, teu púbis, teu cio
A comicidade da vida, o desespero dos desejos distantes.
Os escorpiões envenenam a maçã que devoro sem oxidar.

Quero-te, quero-te, quero-te!
Frêmito e febre
A sede de ti que me ronda
Constantemente...

Jana Cruz

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Stradivarius


"Esta fotografia é de Marcos tristão , feita em 18 do 10 de 2009, o menino é Diego Frazão Torquato, ele tocava violino na Orquestra de Cordas do AfroReggae, a ocasião foi o enterro do coordenador desse projeto, Evandro João Silva. Diego contraiu meningite aos 4 anos, agravada por uma pneumonia, deixando-o com dificuldades de memória. Mesmo assim aprendeu a tocar violino, achando que iria conhecer o mundo. Mas infelizmente não deu tempo, Diego morreu aos 12 anos, vítima de leucemia..."



Tenho a lucidez dos loucos e conflitos tão doces quanto irreais , embora minha paciência seja inconstante, a poesia existe, e suas unhas estão cravadas da realidade mais crua, mais humanamente possível... Deito a minha loucura e a consolo, esculpo o impossível ao som dos stradivarius. 

Jana Cruz
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