Ao redor dos lábios havia um veneno encantador, não matava, mas entorpecia.
Ela vivia ao redor dos bares, oferecendo beijos de whisky aos sonhadores, devorava seus silêncios, seus odores, e mastigava-os como chicletes, presos entre o
s dentes, descobriam o peso faminto da dor e da coragem de amar, a beleza que entra pelos olhos, pelos ouvidos e pelos poros.
Era um dia sulfuroso e ela sempre queria mais.
Ria, como a lâmina ri ao provocar a cisão.
Janaina Cruz
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