
O corpo do poema
Parece ensanguentado
Mordido a superfície.
São os dentes de leite que não o deixam em paz
Havia contração nas palavras e um ímpeto sísmico
A cortar-lhes as densidades.
E o amor murmurava volátil e felino
quase Ileso e cerrado…
Entrando na alma como uma canção.
A canção do poema lido, comido
Carmomendo a maleável solidão
É nesse instante que pegamos a pena
Tentamos inventar novas palavras
Observamos as mordidelas
E já nem sabemos o que mais queima
Se somos nós, ou se é a poesia.
Janaina Cruz
Este poema foi inspirado numa poesia de Jorge Pimenta





