segunda-feira, 11 de julho de 2011

( Eu, brincado de ser artista, entre a lente e o poema )

O corpo do poema

Parece ensanguentado

Mordido a superfície.

São os dentes de leite que não o deixam em paz

Havia contração nas palavras e um ímpeto sísmico

A cortar-lhes as densidades.

E o amor murmurava volátil e felino

quase Ileso e cerrado…

Entrando na alma como uma canção.

A canção do poema lido, comido

Carmomendo a maleável solidão

É nesse instante que pegamos a pena

Tentamos inventar novas palavras

Observamos as mordidelas

E já nem sabemos o que mais queima

Se somos nós, ou se é a poesia.


Janaina Cruz


Este poema foi inspirado numa poesia de Jorge Pimenta

sexta-feira, 8 de julho de 2011

( Eu e o macaco )

Aí dos que são sábios aos próprios olhos! ( Isaías 5:21)

Pensadores

Antes eu achava que sabia tudo, que o mundo era facilmente decifrável.
Me enganei...
Depois julguei que sabia muita coisa e, o que não soubesse aprenderia.
Me magoei...
Hoje sei que quase nada sei há sempre outras vertentes para novas explicações.
Me aquietei...

Janaina Cruz

segunda-feira, 4 de julho de 2011


( Minha amiga Abgail)

Abgail

É como uma rosa branca

A vida voa ao seu redor inebriada

Qualquer tristeza espanta

Vejo as horas sorrirem-lhe encantadas

Se existir alguma nuvem por certo, essa lhe é passageira

Curvam-se galhos desajeitados na ténue chuva de seiva

Sinto-a maior a cada dia

Acho tão bela sua gentileza

Gosto de sua companhia

Admiro suas verdades e certezas

Muitos deveriam ser como Abagil

Ter seu jeito doce

De menina

Que só entende quem a viu

Quanto essa moça fascina!

Trouxe-me amizade

Trouxe-me sorrisos e sementes

Com ela aprendo a bondade

E as coisas da vida que valem à pena

Janaina Cruz

sexta-feira, 24 de junho de 2011

(Montagem feita com imagens encontradas na internet)

Caos

Divago em meio a tanta cegueira
De ações e sentimentos vitrificados
Tão impossíveis de serem tocados
Tão vaporosos e manchados

Depois que se descobre a escuridão
O ócio e o adormecimento da compaixão
É a podridão que rói os ossos

Há crianças pelas ruas
Crianças sujas e febris
Há velhos solitários
Jovens sedentários

Há submissão feminina
Fúnebres sinas
O horror pelas esquinas
Há prostitutas tão meninas

Corpos que nenhuma alma habita
E religiões que não meditam

Globalização e movimento
O futuro? Um atrevimento!
Vejo em tantos semblantes
Um abismo fundo e errante

Janaina Cruz

quinta-feira, 16 de junho de 2011



(Amanhã é o aniversário do meu Nicolas, meu filho do meio)

Meu filho Nicolas

Enquanto o mundo não for teu,
Deixa o teu mundo ser meu.
Deixa que eu espante os teus medos,
Deixa que eu te explico os segredos.

Faz de conta que ainda sou maior
Faz de conta que consigo ser melhor
Que em teus contos sou ainda a rainha.
Agora é tua mão que é maior que a minha...

Permita -me ainda fuçar os teus mistérios
Beijar a tua testa
Reinventar os teus castelos.

Onde estão os teus brinquedos?
Já não os vejo mais
Não são mais os teus espelhos
Quase tudo ficou pra trás...

Minha coroa, o meu cetro, minha torre, minha paz...

Janaina Cruz

sábado, 4 de junho de 2011

(Meu filho mais novo, hoje é o seu aniversário!)

Brincando de ser feliz


É assim que quero sempre te ver

Perto ou longe de mim

Sentir você crescer

Meu pequeno querubim


Chamei-o de Gabriel

Quis logo lhe fazer um afago

Tu sorristes no carrossel

Quando estávamos lado a lado


Teus olhinhos de esmeralda

Vislumbram um mundo tão lindo

Um desejo que respalda

O novo que já vem vindo


Sorria sempre meu amor

Nada é mais belo que teu sorriso

Tu amoleces até a dor

E transforma desertos em paraísos…


Janaina Cruz


quarta-feira, 1 de junho de 2011

( Ah, quem estava acostumado com meus desenhos postados no blog, vai passar algum tempo sem vê-los, a câmera do meu celular fez o favor de não mais prestar, e era assim que fazia: Desenhava, tirava foto e, passava para o computador, bem que pedi favores, mas depender de favores é como sentar-se e esperar longamente no tempo, então resolvi pegar fotografias da net e fazer umas montagens, espero que gostem... rs)

Putz! É phoda!

Mentiras são pássaros sem asas
Não moram em minha casa
Só me causaram aflição
É pena que não acredites
Veja a tua tolice
Aprenda agora a lição!

A verdade pra mim é mais quente que brasa
Ela até se atrasa
Mas sempre aparece!

E então quando surgir a nudez
Do que realmente apetece
Observe tua insensatez
Desmanche-se em tuas preces

Te sentirás tão infame...
Pobre, coitado, infeliz...

Estava na ponta do teu nariz
Olha só que vexame!

Janaina Cruz
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