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segunda-feira, 30 de julho de 2012



Banho-me com raios de sol
Que traz aromas do horizonte
Abrem-se meus poros, há profusão do teu perfume ainda em mim
Ontem vesti-me vagarosamente de ti
Reforçando tuas mãos em minhas mãos
Com uma conjunção carnal quase de sangue
Vi em teus olhos tantas sementes
Afortunando o jardim dos meus desejos mais ardentes
Vesti-me de ti sem nenhuma pergunta
Sentindo a pele e o sexo amaciados
Em meu tato teus afetos
Em minha boca teu leite quente de pecado
Eu em tua boca roçando teus dentes
E repousando com um beijo adocicado
O luar quando minguou ondulações
Trouxe a noite seus dilemas
Tergiversa penumbra a escorrer das mãos do céu
O sol gritando o meu nome.
Tu dormias em meu dorso calmamente
Toquei em ti com gigantesca emoção
Beijei teus olhos jubilosos, sonhadores
Alvissareira, festejei tua respiração.
Vislumbrei o sol a empurrar as brumas
Um dia a mais estava nascendo
E eu sempre querendo vestir-me de ti.
Veste-me, veste-me, veste-me...

Janaina Cruz

terça-feira, 24 de julho de 2012

Busca-me



Busca-me
Só mais uma vez
Nas linhas de tuas mãos
Nas profundezas do teu coração
Sem um depois ou talvez.
Devo estar perdida em ti
Em lugares que até esqueci
Em teu corredor ou degrau.
Busca-me cegamente
Com a fraqueza dos homens comuns
Como se fosses mais um
Essa loucura é normal
Madrugada já desabrochou
Nos recantos de tua cidade
Busca-me com ansiedade
Para que eu saiba quem sou
Alimento-me de tua necessidade.
Sou tua outra metade
A que tu chamas amor.

Janaian Cruz

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O mendigo



Era impossível reconhecer o seu rosto
Tão desfigurado quando seus pés cansados de tantas distâncias
Semeavam poeira os bolsos da blusa
Poeira do tempo, da estrada, poeiras trazidas de longe.
Na boca pendiam silêncios
Vez enquanto algum evangelho
A alma doía e também o estômago vazio
Mas já havia engolido todo o passado
Antes mastigado, mastigado
Querendo esquecer

Janaina Cruz




sábado, 7 de julho de 2012

Anônimos



Sou a mulher anônima


Vestida de pétalas vermelhas
Insanas a temporais
Mãe de filhos anônimos
Com esperanças penduradas em velhos varais
Comemos do pão dormido, do queijo roído em seus quintais
Somos de civilizações anônimas, quase extinta, porém sensuais
Acordamos com o calo cantando, a barriga roncando os sons matinais
Lutamos, damos um duro, voltamos pra casa já no escuro vendo estrelas naturais
Nos abraçamos, desejamos mais sorte, um novo norte coisas tão cordiais.




Janaina Cruz
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