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sábado, 3 de agosto de 2013

Violinos que choram




A música dos violinos acalmava a alma dilacerada,
Havia uma pá de destroços amontoados no Eu
O filho morto no centro da sala, um cubículo cheio de vazios...
Os olhos vermelhos e estranhos procuravam mirar o nada,
Qualquer gesto seria esforço inútil.
A música disfarçava os rituais de sepultamento e a dor que lhe pintava a cara.
Às vezes o silêncio apetece ser quebrado e os limites das mãos alongam-se muito mais que os abraços, muitos mais que a despedida de filhos mortos...
O caixão estreitava ainda mais a sala, as cabeças se atreviam mirar pelos cantos da porta escancarada, a luz do dia apresentava-se sonolenta, luminescência quebrada por violinos que choram.


Janaina Cruz
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