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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Flores de morte



Indócil sentir circundando pela pele, através dos
Sentidos quase esquecidos de tão extasiados
A sensação de ardo lembrava-lhe
Toneladas de vida entregues pelo compasso dos móveis
Pelo preço das roupas esquecidas dentro do armário,
E os sapatos que nunca lhe serviam...

Havia a incomensurável vontade de pular pela janela
De sentir a solidez do chão onde passavam tantos rostos frios e desconhecidos.

Tangia aquela sensação de filme hollywoodiano
Mas estava triste, triste e excitado.
O tempo lhe consumia veementemente.
Aquelas curvas, curvas perigosamente femininas,
As pontas dos dedos nos seios pálidos, cálidos,
A ponta do dedo no sexo entumecido.

O álcool já não lhe supria as necessidades
Nem a imaginação
O olfato, o paladar a audição...

Pertenciam a ela.
Era dela aquele coração
Aquelas roupas no armário
Os sapatos que não lhe cabiam
O amor que emanava da posição dos móveis

Da posição do corpo na hora de amar
Na hora de deitar.
Na hora de sentir solidão...

Em seu lugar ficaram o ópio, as putas, as contas para pagar.

Em seu lugar nasceram flores,
E elas cheiravam a morte.

Janaina Cruz

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Madrugadas





O meu átrio direito é permeado pela poesia romântica e a parnasiana,

Só demônios podem nos confundir assim,

 Estendendo-nos fio a fio a tudo que nos encerra e nos começa.

Quem dera o coração tivesse asas ou pelo menos dois átrios esquerdos a mais,

Quem sabe não viveríamos flutuando,

Acima dessa urbanidade que nos consome e nos intriga?

A brisa matinal me inspira, não tanto quanto as madrugas, nem tanto quanto os demônios...

No ventre existe a gula de parir poemas, aberrações literárias que nascem aprazíveis,

Anunciando o que pulsa entre as pernas...

Até que o dia vire noite novamente.

Janaina Cruz
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